Quase 2 anos após incêndio em hotel de São Francisco do Sul, empresa fecha acordo com MPT

Incêndio em hotel matou uma pessoa e deixou duas feridas

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Redação ND Joinville

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Um ano e seis meses após o incêndio em um hotel de São Francisco do Sul, no Norte catarinense, a Monto Engenharia, empresa responsável pela locação do espaço, firmou acordo com o MPT (Ministério Público do Trabalho). No incêndio, um trabalhador morreu e outros dois ficaram feridos.

Incêndio feriu outras duas pessoas Incêndio atingiu hotel e deixou um trabalhador morto – Foto: Divulgação/ND

O hotel Ubatuba, onde 30 trabalhadores estavam alojados, não tinha alvará de funcionamento e estava com habite-se vencido, segundo o MPT-SC. O incêndio aconteceu no dia 26 de dezembro de 2022 e desesperou moradores de São Francisco do Sul.

O local foi alugado pela Moto Industrial, atual Moto Engenharia, que prestava serviços à ArcelorMittal. Segundo relatos na época do incêndio, a situação do prédio era precária.

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Acordo de conduta

A Monto Engenharia assumiu obrigações para prevenir novos sinistros nos alojamentos de seus empregados e indenizar o dano causado à coletividade.

Durante a apuração do inquérito, os trabalhadores sobreviventes foram ouvidos pela procuradora do Trabalho Ana Carolina Martinhago Balam e relataram os momentos de terror que viveram na ocasião.

Segundo a procuradora, “embora a atuação dos órgãos de fiscalização das relações do trabalho objetive primariamente a prevenção de acidentes do trabalho, infelizmente muitos trabalhadores ainda sofrem danos, inclusive a própria morte, em acidentes que ocorrem durante suas jornadas de trabalho ou quando estão em alojamentos irregulares.”

A reportagem do portal ND Mais tenta contato com o Grupo Monto, mas até o momento da publicação desta matéria não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Relembre o incêndio no hotel

Na madrugada do dia 26 de dezembro de 2022, por volta das 4h, os moradores de São Francisco foram acordados com gritos de socorro. Vizinhos do hotel Ubatuba, que era localizado na rodovia Duque de Caxias, com fundos na rua Ancara, ajudaram a retirar as vítimas de dentro do prédio.

“Eram pessoas desesperadas pedindo ajuda. O meu cunhado saiu correndo, a gente se deparou com o fogo e a gritaria das pessoas, vidro quebrando, algo muito ruim de ver”, relatou, na época, o empresário Albany Alves de Lucena Filho à reportagem do portal ND Mais.

O hotel estava desativado há cerca de dois anos e, em conversas com vizinhos, os funcionários afirmaram que já estavam sem água há três dias. “Estavam tendo que tomar banho com água da rua, no chuveirinho da praia. Estava em uma situação precária”, disse Tamires Rodrigues de Vasconcellos, moradora da região.

Ao MPT, os trabalhadores contaram que o fogo iniciou em colchões que estavam na entrada do prédio. Com a saída de emergência obstruída, algumas pessoas foram encurraladas pela fumaça e acabaram pulando do segundo andar.

Durante o incêndio, as chamas se concentraram justamente na escada do imóvel, que era a única saída de emergência e por esse motivo os ocupantes não conseguiram sair em segurança.

O capitão da Polícia Militar Vinícius Andrade atendeu a ocorrência e presenciou a situação. “Muitas pessoas ficaram presas nos andares superiores. Algumas já haviam pulado com medo do fogo, outras estavam intoxicadas nos quartos e outras estavam bastante debilitadas física e mentalmente”, contou.

Segundo o capitão Douglas Tomaz Machado, especialista em incêndios, foi verificado que o imóvel estava funcionado de forma irregular. Na época, o capitão havia indicado que a situação era preocupante, pois o funcionamento adequado dos sistemas preventivos contra incêndio e pânico poderiam ter sido cruciais para prevenir que as fatalidades ocorressem.

Funcionários feridos durante incêndio

No total, 14 pessoas foram encaminhadas a unidades de saúde. Um homem de 56 anos foi internado no Hospital Municipal São José, em Joinville, após ter 40% da superfície corporal queimada. O quadro clínico dele era considerado estável.

Um idoso de 71 anos sofreu uma fratura durante o incêndio, nas teve alta médica no mesmo dia, assim como os demais atendidos com queimaduras que estavam no hospital e na UPA de São Francisco do Sul.

“Querido por todos”, um funcionário morreu

O funcionário Udison Dias de Sales teve 90% do corpo queimado durante o incêndio. O homem de apenas 38 anos foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal São José, em Joinville, mas não resistiu ao quadro grave e morreu horas depois.

Testemunhas que acompanharam o incêndio informaram à família da vítima que o quarto em que estava foi bastante atingido pelo fogo.

Udison era mineiro, mas morava em Pontal do Paraná. Tinha dois filhos, na época com 18 e 14 anos, e era casado. Além do trabalho, também se dedicava à igreja, como pastor.

“Veio para trabalhar, para levar o conforto para a família”, falou Danilo Fernando da Silva, primo de Udison, na época do acidente. “Esse é o legado que ele deixa para nós: amar as pessoas, ter uma boa amizade, companheirismo”, destacou.

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