Quem é o fundador da Labellamafia, grife de SC exposta em caso de demissão em massa

Giulliano Puga fundou empresa em 2007, após começar a desenhar peças para a sócia; ex-funcionários da Labellamafia reclamam da falta de pagamento após entrada de nova gestão

Foto de Laura Machado

Laura Machado Florianópolis

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De camelô a dono de grife de roupas em Santa Catarina, o fundador da marca Labellamafia está no centro de um processo de recuperação judicial da empresa. Segundo ex-funcionários, nova gestão responsável pela grife promoveu demissão em massa sem pagar direitos trabalhistas.

Foto mostra homem com casaco e calça em tons de marrom sentado segurando uma das mãos no óculos de sol que usa. Giulliano Puga é ex-dono da marca LabellamafiaEstilista Giulliano Puga vendeu a marca após processo de recuperação judicial – Foto: Instagram @giulliano/Reprodução/ND

Labellamafia: fundador da marca vive processo de recuperação judicial

Giulliano Puga construiu um império com a marca Labellamafia, mas a trajetória dele começou distante das grandes lojas.

Seguindo o caminho dos pais que eram vendedores ambulantes Puga iniciou a vida profissional como camelô, oferecendo roupas nas praias de Florianópolis.

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Fotomontagem com roupas da marca LabellamafiaPeças produzidas pela marca seguem estilo esportivo e streetwear – Foto: Instagram @labellamafia/Reprodução/ND

A marca nasceu em 2007 quando o empresário começou a desenhar peças esportivas e no estilo streetwear para a atleta Alice Matos, sócia com quem ele também era casado.

As viagens da empresária para participar de competições esportivas em outros países fizeram com que a marca também ficasse conhecida fora do Brasil. A grife alcançou os Estados Unidos, Rússia, Espanha, México, Colômbia e a Venezuela.

Famosos posam com peças de grife catarinense. Gracyanne Barbosa à esquerda, Marcos Mion e dois atletas ao centro e à direita a atriz Cleo PiresFamosos como Gracyanne Barbosa, Marcos Mion e a atriz Cleo Pires já vestiram peças da marca – Foto: Reprodução/ND

A grife chegou a ter 270 pessoas trabalhando nos diferentes setores e produzia cerca de 100 mil peças por mês. Em 2019, o empresário assumiu a operação da marca integralmente.

Além das lojas próprias, a marca Labellamafia comercializava as peças para lojistas multimarcas e também nas franquias abertas em 2021.

Foto mostra atriz Deborah Secco mostrando a palma da mão e usando roupa preta da marca Labellamafia, de SCMarca já produziu campanhas com a atriz e modelo Deborah Secco – Foto: Instagram @labellamafia/Reprodução/ND

Ex-funcionários alegam que nova gestão fez demissão em massa

Puga teve dificuldades em dar continuidade no processo de reestruturação da Labellamafia e entrou com um processo de recuperação judicial no dia 18 de maio de 2023.

O processo de negociação para venda da marca ao grupo Blue Star Brands encerrou no início deste mês. Funcionários que trabalhavam na fábrica da marca, em Palhoça, dizem que novos donos fizeram demissão em massa.

Foto mostra mulher negra de óculos escuros fazendo selfie com pessoas sentadas atrás dela. Trabalhadores foram demitidos da marca Labellamafia em SCGrupo se reuniu em frente à fábrica da marca, em SC, para cobrar posicionamento dos novos gestores – Foto: Reprodução/ND

O total da dívida aos credores soma R$ 49.474.192,06, sem contar os valores relacionados às rescisões dos funcionários demitidos.

A nova gestão é operada pela empresa que tem como principal acionista Leonardo Perugine Alvez de Barros Filho. O ND Mais não conseguiu localizar a defesa do empresário e o espaço segue aberto.

A estimativa é de que pelo menos 40 funcionários tenham sido desligados, entre efetivos e prestadores de serviço. O acordo firmado, segundo as pessoas demitidas, incluía apenas o cumprimento do aviso prévio.

Em um vídeo compartilhado na internet, um grupo reunido em frente à fábrica da marca, na Grande Florianópolis, aguarda a chegada dos representantes para um novo posicionamento.

“Como a gente fala para um filho quando ele diz que está com fome? Como é que eu falo para o dono do meu apartamento que ele tem que esperar. Ele tem que receber também”, diz uma das trabalhadoras na gravação.

Funcionários demitidos cobram pagamento de direitos trabalhistas – Vídeo: Reprodução/ND

Antigo dono diz que salários não eram atrasados durante sua gestão

Ao ND Mais, a assessoria de Giulliano afirma que as negociações de venda ocorreram ainda no fim de 2023.

A intermediação do negócio, feita pela empresa de consultoria financeira Target Avisor, foi concluída, segundo Puga, no dia 7 de maio, após o fechamento e assinatura dos contratos.

Fotomontagem com duas fotos. À esquerda uma mulher em pé de cabeça baixa usando boné na cor areia e macacão esportivo marrom. À direita duas mulheres, uma negra e outra branca, usam roupas esportivas na cor azul escuro. peças são da grife Labellamafia de SCMarca já chegou a produzir 100 mil peças por dia – Foto: Instagram @labellamafia/Reprodução/ND

“Após essa data, Giulliano Puga deixou o comando das empresas. Os detalhes da negociação seguem em sigilo contratual, mas o projeto apresentado pelo grupo era sanear todos os compromissos, investir e reestruturar a empresa”, diz a assessoria do empresário.

Sobre as demissões e pagamentos atrasados aos colaboradores, a defesa de Giulliano diz que “nenhum atraso de pagamento foi registrado durante a gestão”.

“A assessoria jurídica de Giuliano está acompanhando o caso, pois há uma grande preocupação dele com os colaboradores. O grupo possuía 103 colaboradores na data de fechamento do contrato.

Há uma negociação em andamento para que o Giulliano assuma o setor de criação do grupo. Tanto da Labellamafia, como de outras marcas que o grupo pretende adquirir”.

Funcionários demitidos e atual gestão da marca não haviam entrado em acordo até a última atualização deste texto.

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