Após dois anos do assassinato de Cátia Regina Silva, de 46 anos, a família da empresária segue angustiada e em busca de respostas. Isso porque os suspeitos continuam soltos enquanto aguardam julgamento.
O homicídio aconteceu em 2019, quando Cátia voltava para São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina, após uma viagem a trabalho a São Paulo.
O corpo de Cátia foi encontrado em um rio de Araquari – Foto: Facebook/Reprodução/NDNesta quarta-feira (21), os suspeitos apresentaram as alegações finais ao juiz. “Estamos esperando ele definir se vai pra juri ou não. Mas provavelmente deve ir”, informou a filha de Cátia, Ana Paula Cercal.
SeguirA expectativa é de que a resposta seja dada em cerca de dois meses. “Antes disso, o processo estava parada por conta da pandemia”, completou.
Dois anos de agonia
Segundo Ana, a sensação é de “agonia” e “injustiça”. Ele se mostra otimista, porém, com o andamento do processo. “Temos fé que a justiça vai ser feita”, declarou.
A vida da família mudou drasticamente desde 24 de julho de 2019. “Esses dois últimos anos foram horríveis. Minha mãe faz muita falta. Principalmente pra minha irmã caçula, que não conseguiu aproveitar muito minha mãe”, revelou. Cátia deixou uma filha de 28 anos e uma caçula, de 16.
Relembre o caso
Cátia era dona de uma loja de roupas e viajava toda semana para a capital paulista, onde comprava o material revendido em São Francisco do Sul.
Cerca de dois meses antes de ser brutalmente assassinada, a família relata que a empresária começou a receber ameaças de uma pessoa que se identificava como fiscal da Receita Federal.
As ameaças eram feitas por um perfil falso em rede social. Segundo a filha, eles falavam que Cátia era “uma pobre coitada, uma ridícula, que não tinha nada e que iriam denunciar ela”. A pessoa se apresentava como fiscal da Receita Federal e queria marcar conversa à noite.
Durante as buscas, o carro de Cátia foi encontrado carbonizado no Morro da Palha, em São Francisco do Sul. Pegadas de um sapato diferente ao que a empresária usava no dia também foram encontradas – Foto: Polícia Civil/Arquivo/NDDe acordo com Ana, após a morte da mãe, os suspeitos teriam criado uma página em uma rede social para acusar outra loja te der cometido o crime. “Não dão um minuto de paz”, desabafou.
A empresária desapareceu na noite de 24 de julho e a investigação aponta que ela foi rendida pelos acusados na BR-280. De acordo com o delegado Rafaello Ross, à época da conclusão do inquérito, os acusados simularam uma blitz policial.
Depois disso, de acordo com a polícia, Cátia foi levada para um local ermo em Araquari, onde foi encontrada morta com um tiro na cabeça e braços amarrados. O corpo foi jogado em um rio, mas ficou submerso e foi encontrado no dia seguinte.
Disputa comercial
Segundo investigações da Polícia Civil da época, o crime foi motivado por uma disputa comercial, e que o terceiro envolvido no caso era amigo do casal que seria o mandante do crime.
Magali dos Santos e o marido Fabrício Woche foram apontados como os mandantes do crime. Fabrício, que continua foragido desde a época do crime, teria sido ajudado pelo amigo Odelir Medeiros, na execução do crime. Magali responde ao processo em prisão domiciliar e Odelir está preso.
Responsável pela defesa de Magali dos Santos e Odelir Medeiros, o advogado Odilon Amaral ressaltou, à época, que não há indicação para que a Justiça defina se os acusados serão submetidos ao júri popular.