VÍDEO: Luciano Hang abre o jogo sobre grupo de empresários investigado pela Polícia Federal

Empresário fala sobre mensagens vazadas em reportagem e avalia que o atual momento é de "caça às bruxas"

Redação ND* Florianópolis

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Luciano Hang deu detalhes sobre o grupo de empresários investigado pela Polícia Federal e que resultou em uma ação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na manhã desta terça-feira (23).

Luciano Hang conversou com a imprensa sobre a ação da Polícia Federal – Foto: Daniel Teixeira/NDTVLuciano Hang conversou com a imprensa sobre a ação da Polícia Federal – Foto: Daniel Teixeira/NDTV

Inicialmente o catarinense afirma que o grupo foi criado no início de 2022 e conta com 250 membros. Hang disse que foi incluído por uma pessoa que desconhece, mas que tem o seu número pois “se tornou público”.

“São empresários que discutem todos os assuntos, como política, economia, situação econômica do país. De forma nenhuma é um grupo de políticos em prol de um golpe”, diz Hang.

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“O que nós estamos vendo hoje é realmente uma caça às bruxas. Eu acho que estamos vivendo um momento sombrio no Brasil no momento em que temos eleições, onde nós temos a liberdade de pensamento, de expressão, e a democracia onde os dois lados possam interagir, levar as suas mensagens ao povo brasileiro para que possam escolher livremente A ou B”, continua.

Além de confirmar a mensagem alegando ser apenas uma figura de linguagem, o empresário rebate outras que foram vazadas do grupo.

“Eu falei que nós vamos vencer essas eleições, primeiro quatro anos do Bolsonaro e depois mais oito do Tarcísio e aí limpamos os vagabundos. Quando me referi a isso eram os políticos de todo esse sistema que nós tentamos mudar durante esses quatro anos. Jamais falei sobre os poderes ou sobre o STF, até porque eu sei da democracia e acredito na liberdade entre os poderes”, destaca Hang.

Veja:

Hang rebate mensagens vazadas e afirma que não atacou o STF – Vídeo: Daniel Teixeira/NDTV

Respeito ao resultado nas urnas

Luciano Hang continua detalhando a dinâmica do grupo de mensagens. Ele explica que não acompanha todas as mensagens dos outros integrantes, e que cada um deles tem sua responsabilidade sobre o que envia. O empresário diz acreditar que não houve ameaça à democracia no grupo.

“Não acredito que quem mencionou queira fazer um golpe em um país tão democrático como o nosso. Eu não consigo interagir com o que cada um fala, mas cada um é responsável pelo seu”, observa o catarinense.

Hang conta que ficou constrangido por ter sido alvo da ação realizada pela Polícia Federal e compara as conversas no aplicativo de mensagens com “uma mesa de bar”.

“A partir do momento que é um grupo privado, as pessoas se sentem muito à vontade para se expressar. Aquele grupo era eclético, tinha todos os tipos de vertentes de partidos políticos. Então as pessoas interagiam e davam suas opiniões. Agora, não é crime ter uma opinião divergente das outras e acho que o crime maior é tirar determinadas mensagens desse grupo e jogar para a imprensa como se aquilo fosse verdadeiro”, pontua.

Por fim, Hang afirma que não confia nas pesquisas eleitorais, mas que “após aberta as urnas, quem ganhou levará para os próximos quatro anos”.

Veja:

Luciano Hang afirma que se sente constrangido por conta da ação da Polícia Federal  – Vídeo: Daniel Teixeira/NDTV

Entenda a ação da Polícia Federal

A operação foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (23), com cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em endereços de empresários. 

A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e investiga se os empresários teriam defendido, em grupos de mensagens, estratégias golpistas caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhasse as eleições deste ano.

As mensagens trocadas em grupos de WhatsApp pelos alvos foram divulgadas em uma matéria do jornalista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, em 17 de agosto, com o título: “Exclusivo. Empresários bolsonaristas defendem golpe de Estado caso Lula seja eleito; veja zaps”.

Após divulgação da reportagem, o senador Randolfe Rodregues (Rede-AP) acionou o STF e pediu que a investigações das mensagens e grupos de empresários sejam incluídos no inquérito das milícias digitais, sob a relatoria de Alexandre de Moraes.

Os empresários são Luciano Hang (lojas Havan), José Isaac Peres (rede de shopping Multiplan), André Tissot (Grupo Serra), Ivan Wrobel (Construtora W3), José Koury (Barra World Shopping), Meyer Nirgri (Tecnisa), Marco Aurélio Raimundo (Mormaii) e Afrânio Barreira (Grupo Coco Bambu).

*Com informações do jornalista André Rohde, da Record

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