Rodrigo de Haro: homenagem online nesta quinta na Academia Catarinense de Letras

Considerado o maior erudito de Santa Catarina, o artista e poeta faleceu em julho em Florianópolis

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A Academia Catarinense de Letras realiza nesta quinta-feira, às 19 horas, a tradicional Sessão de Saudade para homenagear o artista, poeta, escritor e acadêmico Rodrigo de Haro, um dos grandes intelectuais do século passado no Estado.

Rodrigo, Idesio Leal e familiares na Exposição da Pedra Branca – Foto: Moacir PereiraRodrigo, Idesio Leal e familiares na Exposição da Pedra Branca – Foto: Moacir Pereira

A solenidade terá depoimentos e testemunhos do orador oficial Péricles Prade, dos acadêmicos José Isaac Pilati, Gilberto Callado de Oliveira, Lélia Pereira Nunes, e Diogo de Haro, representando a família.

Como convidados especiais estarão o artista Idésio Leal, o médico Marcelo Collaço Paulo, o Cônsul da França em Santa Catarina, Jean-Victor Martin, e o senador Esperidião Amin.

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O evento será transmitido pelo YouTube: https://bityli.com/ya08bm.

Rodrigo de Haro: arte, criação e sabedoria

Artista genial, amigo leal e fraterno, poeta humanista, poder ilimitado na criação, paciente, atencioso, fala mansa, solidário, espírito altruísta, inteligência privilegiada, senhor do universo e amor por sua terra e sua gente.

Estas algumas das características e virtudes do saudoso Rodrigo de Haro, um dos mais completos intelectuais que Santa Catarina conheceu em dois séculos. Impossível definir o extraordinário e único ser humano.

Para escrever o livro “Rodrigo de Haro, um poeta humanista”, foram incontáveis as conversas, as entrevistas gravadas, as ricas visitas. Imagens que permanecem dos reveladores encontros em sua residência naquele efervescente centro de cultura, rodeado de livros de autores franceses, de clássicos espanhóis, CDs de música erudita, prateleiras com os melhores filmes, cavaletes, vidros de tintas, pincéis, e aquela avidez incontida de pintar, de escrever, de criar sempre.

Na infância, fruto da convivência familiar com a arte, a vocação pela poesia, a insuperável paixão pela leitura dos clássicos da literatura, virou menino prodígio.

Transformou-se na adolescência numa das maiores expressões intelectuais de sua geração. Aglutinava amigos, artistas, produtores e expressões culturais para analisar e debater o que de mais moderno acontecia no Brasil e no mundo no cinema, teatro, música, literatura, etc.

Já adulto, desponta em Florianópolis, Santa Catarina e no Brasil, pela sensibilidade artística, pela erudição, inteligência e sabedoria, como  poeta, intelectual, pensador, mosaicista e artista multifacetado, com uma trajetória de vida absolutamente mágica.

Não há crítico de arte, familiar ou amigo que identifique o número de pinturas e desenhos que Rodrigo de Haro produziu durante toda sua vida. Nem ele mesmo tinha esta estatística.

Não teve vida acadêmica e frequentou muito pouco a escola para os padrões da vida moderna.  Mas tornou-se um poeta, um artista e uma expressão cultura muito à frente de seu tempo.

Santa Catarina conviveu com artistas que se projetaram no mundo cultural estadual e nacional. Raro encontrar algum tão completo como Rodrigo.  Era uma usina nas maravilhosas pinturas com temáticas diferentes, insuperável nos desenhos, filosófico e indecifrável no mundo da poesia.

Os extraordinários mosaicos falam por si e terão vida perene, como a “História da Criação”, na Reitoria da UfSC, o “Monumento a Santa Catarina”, na Praça Tancredo Neves, o “Mural de Santa Filomena”, no sitio do médico Marcelo Colaço Paulo, os filosóficos murais na Vinícola Francioni, em São Joaquim, entre centenas deles.

Raro encontrar um ser humano tão especial, tão sensível e tão fantástico no poder criativo e tão incansável na produção artística e literária como Rodrigo de Haro.

Ao longo de décadas, testemunhei o quanto era grande o seu coração e extraordinária a sua inteligência.

Foi, sem favor, um dos maiores eruditos de Santa Catarina.