Uma verdadeira máquina de escrever best sellers. Talvez essa seja a melhor maneira de descrever um dos maiores autores da atualidade: Stephen King. Seu novo livro, lançado no dia 06 de setembro nos EUA, já chegou ao topo da lista de mais vendidos.
King já escreveu mais de 60 romances e é um dos autores mais conhecidos da atualidade – Foto: Divulgação/ND“Fairy Tale” (“Conto de Fadas”, em português), é uma fantasia sobre um garoto de 17 anos que herda as chaves para um mundo paralelo, onde o bem e o mal estão em guerra.
Para além de se transformar em um best seller instantâneo, o título deve virar filme em breve, pelas mãos do cineasta Paul Greengrass, que é um grande fã do autor.
SeguirQuem não está familiarizado com a fama de King pode imaginar que seria arriscado compras os direitos de adaptação de um livro que acabou de sair. O autor, no entanto, coleciona sucessos não só na literatura, mas também no cinema, na televisão e no streaming.
O livro foi lançado no Brasil no dia 22 de setembro pela Editora Suma. A versão brasileira tem 624 páginas e custa R$ 94,90 no físico e R$ 49,90 em e-book.
Carreira ‘de milhões’
King é um dos maiores escritores dos gêneros terror/suspense da história. Publicou o primeiro livro em 1974 e desde então já foram mais de 60 livros, mais de um título novo por ano, e cerca de 200 contos.
Até o momento, o autor acumula mais de 400 milhões de cópias vendidas no mundo todo. King é o 9º escritor mais traduzido do planeta e seus livros já foram publicados em mais de 40 países.
A carreira de sucesso, no entanto, quase não existiu; King descartou os primeiros manuscritos de “Carrie”, mas sua esposa insistiu na ideia e pediu para que ele finalizasse o livro. Em nome de todos os leitores, fica aqui o agradecimento à Tabitha King.
Quando finalizou o romance, King enviou o manuscrito à editora norte-americana Doubleday e recebeu 2,5 mil dólares adiantados, porém com os direitos autorais, o faturamento subiu para 200 mil dólares.
Carrie é uma garota que sofre bullying na escola. Apelidada de ‘estranha’, ela acaba derrubando um garoto que zombou de sua aparência. Aos poucos, a menina descobre que tem o poder de mover coisas com a mente. Carrie decide então se vingar de todas as humilhações que sofreu.
Sissy Spacek interpretou o papel de “Carrie” na primeira versão, em 1976 – Foto: United Artists/Divugalção/NDA obra ganhou a primeira adaptação para o cinema em 1976 e conquistou o público e a crítica, faturando mais de 33 milhões de dólares. O filme também foi indicado para duas categorias no Oscar. A nova versão, lançada em 2013, não repetiu o sucesso.
As obras de King já ganharam centenas de adaptações. A mais recente, “O Telefone do Sr. Harrigan”, baseada no conto homônimo, será lançada pela Netflix no dia 05 de outubro.
Na história, um adolescente faz amizade com um senhor endinheirado por conta do amor de ambos pelos livros. O homem acaba falecendo, mas Craig descobre que pode se comunicar com ele do túmulo através de seu telefone.
Por sua obra, King recebeu uma Medalha Nacional das Artes em 2015. O autor também coleciona prêmios importantes do gênero de terror, como o Bram Stoker Award e o World Fantasy Award.
King e sua família de escritores
O ditado ‘filho de peixe, peixinho é’ se aplica muito bem à família King. O filho do autor, Joe Hill, é um escritor premiado do terror. A influência não veio apenas do pai. A esposa de King e mãe de Joe, Tabitha, também é autora do mesmo gênero.
Joe Hill, filho de King, publicou o primeiro livro em 2007 – Foto: Divulgação/NDUma família talentosa que coleciona best sellers. Joe lançou o primeiro livro em 2007 e no ano seguinte começou a produzir uma famosa série de revistas em quadrinhos, chamada “Locke & Key”.
Joe optou por não utilizar o sobrenome da família por dois motivos: primeiro, para não ser comparado ao paí; e segundo, para que conseguisse alcançar o sucesso sem a ajuda do sobrenome famoso.
A estratégia deu certo, porque as obras de Joe bombaram antes que os leitores descobrissem o parentesco com Stephen King.
Pai e filho já publicaram alguns títulos em parceria. O mais conhecido é o conto “Campo do Medo”, que acompanha dois irmãos ao entrarem em um campo de grama muito alta, onde acabam se perdendo. A obra ganhou uma adaptação na Netflix em 2019.
Tabitha King, uma das maiores incentivadoras da carreira do marido, lançou o primeiro livro em 1981. No Brasil, infelizmente sua obra ainda é pouco conhecida.
Tabitha, esposa de King, escreve há mais de 30 anos – Foto: Divulgação/ND“Pequenas realidades” ficou parada em sebos durante 30 anos, mas foi relançada recentemente pela Dark Side, em uma edição que faz justiça à grande escritora, que aborda no livro relações familiares problemáticas e um estranho mundo em miniatura.
O título é protagonizado por Dorothy, a filha de um ex-presidente dos EUA. Ela possui uma réplica em miniatura da Casa Branca e descobre uma maneira perturbadora de decorá-la, após conhecer um homem que trabalhou em um projeto secreto do governo.
Conheça alguns livros de King
It – A Coisa
Versão mais recente da adaptação foi lançada em 2017 – Foto: Divulgação/NDUm dos maiores livros de King (literalmente, a edição da foto tem mais de 1,1 mil páginas) é “It – A Coisa”, lançado em 1986. O romance venceu diversos prêmios importantes do gênero terror, como o British Fantasy Award.
O livro acompanha a história de sete crianças, que são aterrorizadas por uma entidade do mal, que atrai as vítimas explorando seus maiores medos. A figura aparece na forma do palhaço Pennywise.
King levou cerca de quatro anos para finalizar a obra. O assunto mais presente no livro é como os traumas de infância impactam os personagens na idade adulta.
Esse é um dos títulos de King mais adaptados para o audiovisual. O lançamento mais recente ocorreu em 2017, com o filme “It”, que faturou mais de R$ 700 milhões em bilheteria mundialmente.
A obra consagrou a atuação de Bill Skarsgård, que interpretou o palhaço Pennywise. Uma sequência mostrando os personagens já adultos foi lançada em 2019.
À espera de um Milagre
Adaptação lançada em 2000 tem Tom Hanks em um dos papeis principais – Foto: Divulgação/ND“À espera de um Milagre” foi lançado em 1996 em um formato diferente: na infância, King consumia literatura em episódios e queria testar se os seus leitores aprovariam a ideia. Ele dividiu a história em seis volumes, chamando a série de “O Corredor da Morte”.
Atualmente a obra é comercializada como um livro único. Na história, acompanhamos um guarda que vive em um asilo e conta suas memórias do tempo em que trabalhou no corredor da morte de uma prisão durante a Grande Depressão.
O destaque do livro é o condenado John Coffrey, que foi acusado de estuprar e assassinar duas meninas. A personalidade do preso, no entanto, faz o guarda questionar o que realmente aconteceu.
Por conta do sucesso, o livro foi transformado em filme em 1999, com Tom Hanks interpretando o guarda. A adaptação recebeu quatro indicações ao Oscar.
O Iluminado
Jack Nicholson ficou eternizado no papel de Jack Torrance – Foto: Divulgação/ND“O Iluminado” foi o terceiro livro da carreira de King, publicado em 1977, além de ser a primeira obra do autor lançada em capa dura.
King se baseou nas próprias experiências para compor a história, como uma visita realizada ao Hotel Stanley, em 1974, e a luta contra o alcoolismo.
A história acompanha a família Torrance, que se muda para um hotel onde o pai, Jack, consegue um emprego. O filho, Danny, não é um menino comum: ele ouve pensamentos, é considerado “iluminado” e sofre por conta disso.
A família imagina que os dias no hotel podem ajudar Danny, mas o Overlook também não é um hotel comum. O local acaba piorando a vida de Danny e muitas coisas horripilantes acontecem com pai, mãe e filho.
Assim como boa parte da obra de King, o livro ganhou adaptação para o cinema, em um filme aclamado por público e crítica, onde Jack Nicholson interpreta o protagonista, sob a direção de Stanley Kubrick.
Misery: Louca Obsessão
Adaptação rendeu um Oscar de melhor atriz para Kathy Bates – Foto: Misery – louca obsessãoO último clássico de King da lista é “Misery – Louca Obsessão”, publicado originalmente em 1987. O livro é um terror absoluto, com uma personagem particularmente insana e a minha favorita do autor: Annie Wilkes.
O livro conta a história de Paul Sheldon, um escritor famoso pela série protagonizada pela personagem Misery Chastain. Ele sofre um acidente de carro e é resgatado por Annie Wilkes, sua ‘fã número um’.
Annie desaprovou o final do último livro da série e ameaça Paul a dar um desfecho diferente para a protagonista. Tudo com muita tortura, ameaça e loucura.
Vou deixar minha opinião neste caso: livro e filme são sensacionais. Há algumas mudanças de uma obra para a outra, mas ambas funcionam muito bem. Kathy Bates, que interpreta Annie, ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.