A moda entra na onda sustentável e abre oportunidades para os negócios conscientes

Brechós e vendas online de produtos de luxo de segunda mão injetam consciência no consumo e impulsionam novos negócios na Capital

Carolina Coral, especial para o ND Florianópolis

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Emanuele Lazzari: 33 mil likes no brechó online e menos impacto ambiental - Marco Santiago/ND
Emanuele Lazzari: 33 mil likes no brechó online e menos impacto ambiental – Marco Santiago/ND

Cada vez mais, pessoas de todo o mundo estão repensando o seu modo de consumir peças de roupas, acessórios e até artigos de luxo. O consumismo desenfreado está pouco a pouco sendo substituído por um consumo mais consciente. A ideia é fazer circular mercadorias que estariam há tempos sem uso, paradas em algum armário, ou até mesmo aquelas peças das quais a dona desapegou e deseja passar adiante. 

Para a decoradora da Via Baroneza e proprietária do brechó Merci Marri, localizado em São José, Vânia Cunha, a ideia do espaço é “ter peças de decoração e de roupas atraentes, atemporais, com histórias e preços justos”, afirma. A decoradora conta que a paixão por brechós surgiu em suas viagens pela Europa, região em que o hábito de adquirir peças de segunda mão é uma cultura valorizada e crescente. “Percebo que aos poucos os brasileiros estão aderindo a essa cultura, permitindo que essas roupas que não queremos mais tenham uma nova oportunidade, uma segunda vida e uma nova história”, ressalta.

O Garimpário, brechó online que surgiu em 2011, nasceu da paixão do casal Emanuele Lazzari e Renato Kormives por garimpar em brechós. “Nós costumamos dizer que somos “brechozeiros”, viciados em vasculhar brechós exclusivos de todo o mundo atrás de grandes achados”, revela Emanuele. Entretanto, como encontravam muitas peças bacanas de diferentes estilos e não podiam ficar com tudo, decidiram criar a loja online para compartilhar essas peças com outras pessoas que não tinham tempo ou paciência de garimpar em brechós.

“Além das peças adquiridas nos brechós do mundo afora, também inserimos roupas que eram nossas, da nossa família ou de outras pessoas que entram em contato querendo se desapegar de alguns itens”, explica Renato. Independentemente da procedência das peças, todas elas passam por uma curadoria para que, desse modo, os proprietários certifiquem-se de que a peça tem a ver com o estilo de seu público-alvo, que são homens e mulheres de 20 a 30 anos.

Vânia Cunha vê a cultura do brechó como crescente. Seu negócio em São José é movimentado - Marco Santiago/ND
Vânia Cunha vê a cultura do brechó como crescente. Seu negócio em São José é movimentado – Marco Santiago/ND

“A nossa principal filosofia é diminuir o impacto ao meio ambiente através do consumo consciente e sustentável. É mostrar que dá para se vestir superbem e com estilo, de uma forma autêntica e exclusiva, e sem produzir mais lixo, muito pelo contrário: reutilizando peças que um dia foram descartadas por alguém”, reforça Emanuele. Atualmente, o Garimpário tem em média 33 mil likes no Facebook e 11 mil seguidores no Instagram. O casal também é proprietário da loja física Black Bufallo, que vende novos designers brasileiros e marcas locais de pequenos produtores.

Vânia Cunha da Merci Marri é da mesma opinião e ressalta também a importância dos consumidores terem a consciência dos processos de fabricação das roupas, “para a confecção de uma calça jeans, por exemplo, são usados litros e mais litros de água e agentes químicos que poluem nossos rios e mares.”

Renata Costa se especializou nas marcas de luxo. Sustentabilidade é bom negócio - Marco Santiago/ND
Renata Costa se especializou nas marcas de luxo. Sustentabilidade é bom negócio – Marco Santiago/ND

Reutilizar e circular

A proposta da loja virtual Usei tá novo, da empresária Renata Costa, é reutilizar, circular e oferecer peças de luxo e de qualidade, muitas vezes encontradas apenas no exterior, a preço acessível. Com 9 mil seguidoras no Instagram, vende marcas conhecidas como Chanel, Fendi, Louis Vuitton, Celine, Burberry, entre outras. O público em geral são mulheres, das classes A e B, com idades que variam de 25 anos a 65 anos.

“Meu negócio nasceu de maneira despretensiosa, comecei vendendo as minhas próprias peças que não usava mais. Em pouco tempo, minhas amigas começaram a mandar as peças delas. Depois, as conhecidas também ficaram sabendo, e assim a ideia de circular as peças “paradas” no armário foi ganhando espaço”, explica Renata. Para ela, a necessidade de assumir novos hábitos de consumo, aliada ao propósito de sustentabilidade, começou a se tornar uma grande oportunidade de negócio. 

“Apenas há um ano e três meses presente no Instagram, percebi que esse novo cenário de consumo tende a crescer no Brasil, por isso a ideia para 2019 é investir ainda mais no mercado online e contribuir para que o mercado sustentável cresça ainda mais”, destaca Costa.

O consumo de segunda mão, segundo Renata, não surge apenas em função da crise econômica, mas sim vem ao encontro de uma tendência mundial de busca por um consumo consciente. “O preconceito de comprar um item usado já vem diminuindo no Brasil. Por isso, democratizar o mercado de luxo é um dos nossos pilares. Além do mais, diante da onda fast fashion, o nosso desafio é mostrar ao cliente o verdadeiro valor agregado de comprar uma peça com a gente, mesmo que o preço seja mais alto do que alguns itens novos comprados em determinadas lojas ou marcas”, enfatiza Costa.

Para Emanuele Lazzari e Renato Kormives, trabalhar com moda sustentável é um ato revolucionário. “Precisamos estar sempre atentos e repensar os nossos hábitos de consumo, entendendo o impacto que as nossas escolhas causam no mundo em que vivemos. Hoje, consumimos 30% a mais do que a capacidade de renovação da Terra. Se continuarmos nesse ritmo, o mundo entrará em colapso em algumas décadas. A moda sustentável e o consumo consciente definitivamente são o futuro do nosso planeta”, destaca a proprietária do Garimpário.

Geração consciente

Criatividade e sustentabilidade são os pilares do Projeto Mini Estilista, da idealizadora Micheli Hoffmann formada em Design de Moda pela Unisul. Entre moldes, tecidos, tesouras, agulhas e linhas, as alunas de quatro escolas particulares, entre elas a Escola da Ilha, desenvolvem as suas habilidades manuais e sua criatividade por meio da oficina de moda e também customizam e colocam peças de volta no consumo.

O projeto tem como objetivo principal o desenvolvimento da criatividade através da moda e da sustentabilidade. “É importante trazer esse assunto às novas gerações, trago para elas o assunto principalmente com enfoque na reutilização, já trabalhamos com bijuterias e bolsas feitas de materiais recicláveis”, pontua Michele. A customização de roupas é outra prática que visa transformar uma peça usada em algo com uma cara nova.

Segundo Michele essa geração é muito antenada, “percebo os comentários das meninas dentro da sala, elas mesmas ressaltam a importância de economizar água, separar o lixo para reciclagem, buscar saber se a roupa que estão escolhendo junto com seus pais, vem de uma marca que se preocupa em ser menos poluente, entre outras questões”.

Garimpário

Loja online: www.garimpario.com.br

Instagram: @garimpario

Facebook: www.facebook.com/garimpario

Via Baronesa Floripa e Merci Marri Brechó

Endereço: Rua Getúlio Vargas, 395, Praia Comprida, São José

Facebook: www.facebook.com/viabaronezafloripa

Usei Tá Novo

Instagram: @useitanovo

Whastapp: (48) 9605-9798

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