As abelhas nativas ou abelhas brasileiras já viviam no Brasil antes mesmo das espécies estrangeiras aportarem por aqui. Elas também são conhecidas por não terem ferrão e podem ser criadas na área urbana, como é o caso do contador aposentado de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, Abrelino Bertani Parizotto.
Abrelino Bertani Parizotto é criador de abelhas nativas há mais de 30 anos – Foto: Carolina Debiasi/Divulgação NDEm sua casa, no Centro da cidade, o quintal é repleto de colmeias. Parizotto possui mais de 26 espécies que foram adquiridas ao longo dos anos de outros colecionadores de diferentes regiões do país. Todas elas são dóceis e sem ferrão, chamadas de meliponas.
Essa paixão por abelhas, que hoje se tornou um hobby, começou aos 10 anos de idade quando ainda morava em Espumosa (RS).
Seguir“Eu sentava com o meu pai para colher o mel e me veio à mente se existia alguma abelha que não tinha ferrão. Meu irmão me disse que tinham aquelas abelhas do mato, conhecida por plebeia, e isso me despertou”, relata.
O tempo foi passando e as caixinhas de abelhas nativas o acompanharam até mesmo quando fez faculdade. Somente em 1977, Abrelino começou a contabilizar as abelhas em uma ficha. Com o conhecimento adquirido, muitas pessoas o procuram para conhecer a fundo sobre as abelhas sem ferrão.
“Eu tinha meia dúzia de colmeias e tudo o que eu via de diferente eu anotava nessas fichas. Ganhei uma cópia de um livro nessa época e comecei a estudar sobre as abelhas. Com a internet conheci muitos colecionadores de todo o país e minha coleção só aumentou”, lembra.
Parizotto possui espécies vindas do Maranhão, do Rio de Janeiro, e até mesmo as que estão em extinção. O contador aposentado colhe mel para consumo próprio há mais de 30 anos. Outras colmeias que possui em Alto da Serra e Guatambu, Parizotto colhe e comercializa o mel.
Mel de abelhas sem ferrão é regulamentado em SC
Para apoiar os sistemas produtivos da apicultura e meliponicultura, o governo do Estado regulamentou o mel de abelha sem ferrão.
A portaria SAR nº 37/2020 regulamenta uma norma interna que estabelece a identidade e os requisitos mínimos de qualidade que deverão ser apresentados pelo mel de abelhas sem ferrão produzido no estado. Ela reconhece o hábito regional e tradicional do produto, destinado ao consumo humano.
A regulamentação da produção é resultado de um projeto desenvolvido pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) que, por meio de estudos técnico-científicos, em parceria com estabelecimentos que possuem o SIE (Serviço de Inspeção Estadual) e com o apoio do corpo técnico UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), buscou identificar os critérios para regulamentação deste produto no estado catarinense.
Procura por abelhas sem ferrão tem aumentado
O biólogo Jackson Preuss explica que a procura por abelhas nativas tem aumentado muito nos últimos anos. As caixas com as abelhas são encontradas em casas e também em apartamentos. Os benefícios são inúmeros.
“Existe uma troca interessante porque as abelhas oferecem um mel muito nutritivo para as pessoas, então elas estão criando essas abelhas em casa e em apartamento. O legal de manter essas abelhas próximas de casa é a polinização, pois a troca de pólen entre as plantas faz com que aumente o sucesso reprodutivo dos vegetais”, explica.
Junir Antônio Lutinski, biológo, acrescenta que em Chapecó existe um grupo de aproximadamente 60 pessoas que criam abelhas nativas. É através desse grupo que são repassadas informações quando é feito a dedetização na cidade.
“Quando ocorre essa dedetização por conta do mosquito Aedes aegypti, os criadores de abelhas sem ferrão são avisados e eles fecham as colmeias para não matá-las.”, acrescenta.