A chuva também descortinou outro problema que vem se transformando em verdadeira novela na Capital: a situação do rio do Brás, em Canasvieiras. Depois de romper a antiga barreira e voltar ao contato com o mar no início do mês, a prefeitura chegou a dizer que deixaria o rio livre, mas no dia seguinte construiu nova barreira, o que desagradou os moradores. Na tarde de segunda-feira (19), a barreira foi novamente destruída pela natureza.
Situação do rio do Brás segue indefinida – Foto: Leo Munhoz/NDA assistente social Maria de Fátima Schaeffer, 61 anos, questiona: “Por que não limpam esse rio? Deveria ser tratado. Eu, particularmente, sou a favor de que o rio siga seu curso normal”, diz. “Não sou bióloga e nem trabalho com o meio ambiente, mas poderia ser tratado com permacultura. Precisamos de solução”, completa.
Ela ficou indignada pelo fato de a prefeitura gastar recursos para impedir o contato do rio com a praia de Canasvieiras. “Por que não vem retirar esse lixo? Por que não tratam o rio? É mais fácil fechar e esconder, fazer de conta que o problema não existe?”, reclama. Segundo a moradora, em determinados dias o cheiro de esgoto emanado pelo rio é bastante acentuado.
SeguirO representante comercial Ilblener Alex Bezerra, 47, tem a mesma opinião. Morador de Toledo (PR), Bezerra vai ficar com a mulher Telma Leite Vieira, 44, até 20 de janeiro, em Canasvieiras. O casal já morou no bairro. “Faz 20 anos que fui embora, mas venho todo ano. É vergonhoso ver uma situação dessa. O rio tem que ir para o mar. Como é que trancam o rio? Isso é menos do que paliativo. Não foi boa ideia, foi péssima ideia”, opina. Para ele, a medida certa é autuar quem deve ser atuado, fazer as ligações corretas de esgoto e deixar o rio seguir para o mar. “Quando morávamos aqui, tinha muito siri, caranguejo, mexilhão, camarão, hoje não vemos mais nada. Só tem dejeto, o cheiro é de dejeto”, lamenta.
Elisabete Esteves, 64, mora em frente ao Brás. “Eles fizeram um paredão pra fechar. Mas a água sempre acha um jeito de sair. Deu maré alta, fez um buraco, o rio passou por cima e foi embora”, narra a moradora. “Acabaram com o rio. Não tem nada mais vivo aqui. A única coisa que sobrevive são as capivaras e o jacaré. Se a prefeitura voltar aqui e fechar será péssimo, porque não adianta”, afirma.
O pescador Augusto Klingelfus, 49, enfatiza que a briga é pela limpeza do rio e pelo tratamento d’água. “Não queremos esgoto. O rio de antigamente funcionava assim, ele abria e fechava conforme queria. Esse é o verdadeiro rio do Brás, só que com água de esgoto”, lamenta.
A prefeitura informa que está acompanhando os alagamentos e a situação do rio do Brás. Ressalta que está priorizando atendimentos de emergência, para segurança da população, e que ainda vai analisar o que fará no local após a chuva.