Com o alargamento das faixas de areia nas praias de Jurerê Tradicional, Ingleses e Armação, os impactos ambientais serão trazidos juntos, segundo o professor e pesquisador associado na Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Charrid Resgalla.
Areia é despejada com água em um dique na beira da praia Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDIsso ocorrerá porque, no processo de “engordamento”, a areia será retirada de uma jazida, o que prejudicará a fauna desse local. Na mesma mão, essa areia soterrará a que já está inserida nas praias de Jurerê, Ingleses e Armação.
O soterramento também altera a fauna das praias, afinal, os animais locais, como os pequenos crustáceos e invertebrados da região, ficarão depositados embaixo dessa nova areia, o que pode os levar à morte ou então ao desaparecimento local.
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Já na construção do molhe, a ação é de certa forma, “ideal”. Isso porque a praia irá repor de maneira natural a areia. Entretanto, a ideia também causará prejuízos ao meio ambiente. Isso porque essa areia sairá de pontos costeiros, que sofrerão erosões, pois estão fornecendo areia para o local que está sofrendo a deposição.
Alargamento não deve afetar a pesca da tainha
Para o professor Paulo Ricardo Schwingel, do Laboratório de Ecossistemas Aquáticos e Pesqueiros da Univali, a safra da tainha não deve sofrer prejuízos durante as ações de engordamento das faixas de areia.
Esse tipo de peixe, explica o professor, vive em estuários – áreas de transição entre a terra e o mar, entre água doce e salgada – e somente sai para o mar para se reproduzir. Ou seja, como as obras da Prefeitura de Florianópolis serão iniciadas apenas depois da safra anual, as tainhas não deverão sofrer impactos, por não ser seu hábitat natural.