Após apagão, saiba como estudo prevê fenômenos ‘em massa’ causados por mudanças climáticas

Estudo mostra consequências do calor extremo em todo o mundo e as mortes pelas altas temperaturas, além da sobrecarga no sistema de energia que pode gerar novo apagão

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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O apagão que afetou várias regiões do Brasil na manhã desta terça-feira (15) acendeu o alerta para futuros fenômenos no país. Somente em Santa Catarina, quase meio milhão de pessoas foram afetadas pela queda de energia.

Apagão pode acontecer novamente por mudanças climáticasMudanças climáticas podem gerar um novo apagão – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Ainda que o fenômeno brasileiro tenha sido causado, segundo a Celesc, que distribui energia em Santa Catarina, por um Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga), é preciso ter cautela com as mudanças. De acordo com a companhia, o sistema funciona como uma forma especial de proteção específico para o corte de carga por meio de subfrequência do sistema a valores preestabelecidos.

Na prática, é um “corte de energia” para aliviar o sistema nacional para manter o equilíbrio entre geração e consumo. Vinte estados mais o Distrito Federal foram afetados pelo apagão desta terça, diz a Celesc.

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No entanto, um estudo mostra consequências do calor extremo em todo o mundo e as mortes pelas altas temperaturas, além da sobrecarga no sistema de energia que podem gerar um novo apagão.

O destaque é do engenheiro Mikhail Chester, professor da Escola de Engenharia Sustentável e Ambiental da Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos.

Um estudo publicado pelo engenheiro como artigo científico na Universidade mostra que enquanto a Europa e grandes áreas dos Estados Unidos lidam com altas temperaturas recordes, chegou a hora de parar de olhar para o calor e as ondas de calor como inconvenientes temporários. A mudança veio, e veio para ficar, segundo Chester.

O profissional explica que a demanda por energia atualmente é maior do que quando os sistemas foram projetados, especialmente os mais antigos. Por isso, ele considera que o sistema elétrico é frágil e não está preparado para um consumo tão alto, como o caso do ar-condicionado, por exemplo.

O engenheiro se baseia ainda em outro estudo feito pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia. Os pesquisadores analisaram a cidade de Phoenix, Atlanta e Detroit, e descobriram que apagões nestas cidades seriam capazes de produzir o dobro do número de mortes por calor, que já são registradas por temperaturas recordes no país.

“O que você tem é uma situação em que o ar condicionado nunca desliga – de jeito nenhum”, diz Chester.

O alerta ao escuro

O engenheiro explica que as cidades podem não ter se preparado para vários dias seguidos de calor extremo, sem mencionar as noites sufocantes.

Na última semana, uma das duas principais concessionárias de Phoenix quebrou o recorde de quantidade de eletricidade fornecida em um dia – três vezes em uma semana. A maioria dos sistemas também possui backups que ultrapassam fronteiras geográficas, o que ajuda a manter a resiliência das redes e a evitar blecautes.

Mudanças climáticas podem afetar fornecimento de energia Mudanças climáticas podem sobrecarregar os sistemas de energia – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Se faltar energia no Arizona, por exemplo, a eletricidade pode chegar ao estado via Califórnia, Nevada, México e outras regiões, dando às redes menores uma proteção contra falhas.

“Eles basicamente precisam operar dentro de um conjunto muito mais restrito de condições”, diz Chester.

Se um sistema de energia estiver prestes a quebrar, uma concessionária acionará seus planos de contingência, incluindo a redução da demanda. Eles desligarão os termostatos inteligentes e pedirão aos moradores e empresas que usem menos energia. Eles também têm defesas incorporadas ao sistema, de modo que uma linha de energia tropeça ou um transformador se protege antes de explodir.

Assim, ao longo do tempo, os sistemas podem ficar sobrecarregados e causar um “blackout” nas cidades.

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