Após tremores de terra em Chapecó, geólogo explica fenômeno

Em entrevista ao ND Mais, o geólogo William Zanete Bertolini explicou sobre possibilidade de terremotos, após os tremores de terra em Chapecó

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Valeria Cenci Chapecó

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Moradores registraram tremores de terra em Chapecó, no Oeste de Santa catarina, na noite de quinta-feira (18). Os relatos da cidade chegaram minutos após o terremoto no Chile.

Em entrevista ao ND Mais, o geólogo William Zanete Bertolini explicou sobre a possibilidade de terremotos na região e sobre a relação entre o fenômeno no Chile em Chapecó.

O geólogo William Zanete Bertolini explicou sobre possibilidade de terremotos, após os tremores de terra em Chapecó.Em entrevista ao ND Mais, o geólogo William Zanete Bertolini explicou sobre possibilidade de terremotos, após os tremores de terra em Chapecó. – Foto: Defesa Civil/Leandro Schmidt/PMC/Divulgação/ND

O professor detalhou que as relação ainda precisa de estudos para afirmar a real ligação, já que as falhas geológicas presentes no Oeste de Santa Catarina ainda não foram completamente mapeadas.

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“Elas não estão bem mapeadas no Oeste Catarinense, nem na região de Chapecó, isso infelizmente ainda é uma lacuna a ser preenchida pelo mapeamento geológico na região”.

Willian explicou também que os terremotos são vibrações sentidas no solo, que podem ser provocadas por diversos outros motivos. Essas vibrações podem ser muito parecidas, mas elas podem ser causadas pelo trânsito de veículos pesados e por explosões.

William é doutor em geografia física pela USP (Universidade de São Paulo) e professor do curso de Geografia e PPGGEO (Programa de Pós-Graduação em Geografia) da UFFS(Universidade Federal da Fronteira Sul). – Vídeo: Reprodução/ND

Mas afinal, o que aconteceu em Chapecó?

Alguns moradores de Chapecó chamaram os bombeiros e afirmaram terem sentido tremores nos prédios na noite de quinta-feira (18). O registro foi nos bairros Jardim Itália e Passo dos Fortes, alguns minutos após o terremoto no Chile.

A primeira ocorrência gerada pelos bombeiros foi às 23h13, na rua Barão do Rio Branco, no Jardim Itália. No registro, os socorristas escreveram que houve “reconhecimento de áreas de risco de desastres naturais ou tecnológicos – houve tremor no prédio”.

O segundo chamado foi às 23h29, dessa vez, diversos moradores do bairro Passo dos Fortes ligaram para a Central e relataram terem sentido tremores de terra.

Corpo de Bombeiros Militar foi até o local e nada foi constatado. Não houve registro de danos estruturais, também não há registro de feridos.

O que aconteceu no Chile?

Segundo o geólogo da Defesa Civil, Matheus Klein Flach, na noite de quinta foram observados tremores de terra na região de São Pedro de Atacama, no Chile.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, foram registrados quatro tremores entre a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira (19). O primeiro foi registrado às 22h50, horário de Brasília.

O registro inicial deu conta de um tremor de magnitude de 7,4 pontos na Escala de Richter, que vai até 10, a uma profundidade de 117,4 km da crosta terrestre.

Ainda na noite de quinta-feira foi observado, às 23h15, um novo tremor na mesma região de 5,0 pontos seguidos por tremores menores de 4,7 às 00h11 da madrugada de sexta-feira e 4,4 às 02h47.

O que são terremotos e como impactam Santa Catarina?

Os terremotos são fenômenos naturais causados pelo deslocamento das placas tectônicas. Esses tremores de terra são oriundos de forças internas da superfície terrestre, associadas aos movimentos das placas.

O contato entre placas tectônicas, além de auxiliar na mudança do relevo, causa atrito entre elas e como consequência pode provocar tremores como os vistos na região do Atacama no Chile. Detalhou o geógrafo Matheus.

“O Chile está em uma área de limites entre placas convergentes, ou seja, placas que se deslocam em direção uma da outra. Esse contato entre as placas auxilia na formação de morros e montanhas ao longo do tempo”.

Já o Brasil, situa-se na região central da placa tectônica, onde é muito menos provável o aparecimento de fenômenos de grandes magnitudes, explicou Matheus.

“Cabe ressaltar que os tremores ocorridos puderam ser sentidos devido a nossa proximidade com o Chile, porém esses os terremotos não causam risco para Santa Catarina”, detalhou a nota da Defesa Civil.

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