Moradores e movimentos sociais realizaram no final da tarde desta terça-feira (25), na Lagoa da Conceição, um ato para marcar um ano do rompimento da lagoa de evapoinfiltração de efluente da Estação de Tratamento de Esgotos da Casan.
No início da manhã do dia 25 de janeiro do ano passado, 75 residências localizadas na servidão Manoel Luiz Duarte e adjacências foram invadidas por água e lama. Cerca de 150 pessoas foram atingidas pela maior tragédia ambiental de Florianópolis.
A caminhada percorreu a avenida das Rendeiras até o Centrinho da Lagoa – Foto: Paulo Rolemberg/NDDurante o ato, exatamente às 17h40, os participantes fizeram um “minuto de barulho” para relembrar a agonia dos moradores. Áudios dos momentos vividos pelos atingidos naquela manhã do dia 25 de janeiro foram reproduzidos em um carro de som. Em seguida, o grupo de aproximadamente 60 pessoas saiu em caminhada até o Centrinho da Lagoa da Conceição.
SeguirNa manifestação, os moradores distribuíram panfletos para informar as pessoas que passavam pelo ato, os oito motivos de irem a rua, entre eles: a reparação integral das famílias atingidas pelo rompimento da lagoa; medidas de recuperação socioambiental da Lagoa da Conceição para pesca, turismo e lazer; elaboração participativa de uma política estadual de direito dos atingidos por barragens e reconstrução da servidão atingida.
Maria Terezinha Bruggemann e Andreia Zanella no ato para relembrar acidente ambiental – Foto: Paulo Rolemberg/NDPara a aposentada Maria Terezinha Bruggemann, uma das atingidas pelo acidente, o momento é de reconstrução e relembrou a união dos moradores em torno do local.
“Depois do acidente a gente viu a necessidade de se reunir. Nos unirmos nos levou a várias situações na rua, como fazer jardim, fazer horta, para ocupar a nossa mente. A rua se tornou unida e se tornou forte para negociação com a Casan”, contou.
A artista visual e professora aposentada da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Andreia Vieira Zanella, o ato foi para não deixar esquecido “o maior crime ambiental de Florianópolis”. Ela reforçou a necessidade de recuperação ambiental da Lagoa da Conceição.
Andreia disse que os moradores da servidão atingida pelo rompimento irão cobrar uma reparação justa de danos morais a Casan.
Moradores atingidos pedem reparação justa de danos morais – Foto: Paulo Rolemberg/ND“Tivemos danos materiais ressarcidos, ainda poucos ainda para ressarcir, mas a gente está reivindicando uma reparação justa de danos morais. A gente não perdeu só objetos materiais. Nossas casas foram invadidas pela lama, nossas vidas foram modificadas de forma significativa e a gente quer uma justa reparação”, salientou.
Inclusão no Plano Nacional de Segurança de Barragens
Os moradores também pediram o enquadramento da estrutura que está sendo construída pela Casan na Lagoa de Evapoinfiltração da CASAN na Política Nacional de Segurança de Barragens, o que irá garantir o direito de não repetição do dano e segurança aos moradores.
“É uma garantia de não repetição de danos. A gente quer ser treinado, ser entendido que aconteceu foi uma violação de direitos humanos”, afirmou Andreia Zanella.