A região do trapiche da Beira-Mar Norte, em Florianópolis, está infestada de lagartas. É na base do trabalho braçal que o controle é feito pela equipe do Centro de Zoonoses. Todos os dias os profissionais vão até o bolsão do trapiche e, usando uma pinça, removem os insetos.
Lagarta de fogo interdita área nobre da Beira-Mar Norte – Foto: Diogo de Souza/NDSegundo a bióloga, Cintia Petroscky, o Centro de Zoonoses “está fazendo o controle através de ‘catação’ para reduzir novas infestações e também o número de acidentes. Como é uma área pública e aberta, o uso de veneno não é indicado”.
O registro das lagartas é mais comum nas amendoeiras da Beira-Mar Norte. Em geral, os insetos aparecem duas vezes por ano. “O principal, sempre que se vê um animal que a gente não conhece é não chegar perto e não tocar. Caso a pessoa tenha alguma dúvida, o Centro de Controle de Zoonoses está disponível para fazer qualquer identificação. A partir dessa identificação é que a gente consegue saber se o animal apresenta importância médica”, explicou Cintia.
O doutor em entomologia Luiz Carlos de Pinho explicou que “a mariposa da Megalopyge lanata, assim como outras mariposas e borboletas também, são excelentes polinizadores, ajudam na reprodução das plantas”.
O técnico agrícola Carlos Augusto Barcellos Squizani e seu fiel escudeiro, o golden retriever Zap, costumam passar bastante pela região. Como em toda boa amizade, um cuida do outro. “Tem que estar sempre atento. Não deixo ele nem chegar próximo. A gente não sabe se ela é venenosa, mas ela pode causar uma queimadura e até alguma lesão grave”, disse Squizani.
A falta de folhas em algumas das árvores é resultado da presença das lagartas. Afinal, é das folhas que esses insetos se alimentam. Ao longo da área que está isolada na avenida Beira-Mar, ficam bancos e academias utilizadas pela população. Ou seja, as lagartas estão muito perto. É preciso ter cuidado e respeitar as faixas de isolamento para evitar queimaduras.
Mas se o pior acontecer, existem alguns cuidados pós-queimadura que podem ajudar. “O primeiro passo é o paciente lavar o local com água e sabão, poderia usar também uma pomada de corticóide para dar um alívio ali no local, tomar um analgésico para a dor e também um anti-histamínico para tirar a sensação de coceira ali do local, mas seria importante também, se puder, fotografar a lagarta e observar esse paciente nas primeira 24h a 72h”, explicou a dermatologista Gabriela Blatt.
“Interessante também entrar em contato com o Ciatox. Ligar para o 0800 do Ciatox, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, que lá você vai encontrar maiores informações, mais específicas sobre a lagarta que você acabou tendo contato”, orientou o doutor em entomologia Pinho. O telefone do Ciatox é 0800 643 5252.
A participação da comunidade na identificação dos focos da lagarta e na notificação dos órgãos responsáveis, como o Centro de Controle de Zoonoses, é fundamental para garantir o controle.
Conforme a bióloga Cintia, “é através da notificação que a gente consegue verificar a presença desses animais no local e a partir disso tomar nossas medidas de controle ou de manejo necessárias em qualquer tipo de situação”. O telefone para entrar em contato com o Centro de Zoonoses é (48) 3236-1962.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!