Imagine chegar em casa, abrir a gaveta e encontrar um objeto diferente em meio a talheres e utensílios. Pior ainda: imagine se o objeto começa a se mexer “do nada” e ao olhar mais de perto você percebe que, na verdade, é uma cobra.
Este é só um dos episódios já registrados pela equipe dos Bombeiros Voluntários de Joinville, no Norte do Estado, durante a captura do animal. Só nos últimos dois anos, 351 cobras já foram capturadas em casas, terrenos e empresas do município.
Cobra-coral capturada em outubro deste ano, na zona Sul da cidade – Foto: Fábio Silvério/Arquivo PessoalNa última semana, outro caso também relacionado a captura de cobras chamou a atenção, mas no Litoral Norte do Estado. Uma jararaca adulta foi capturada próxima a uma casinha de cachorro, no bairro das Nações, em Balneário Camboriú.
SeguirDe acordo com a Guarda Municipal, o animal tinha mais de um metro de comprimento e foi a segunda cobra peçonhenta capturada na cidade na mesma semana.
Em Joinville, um dos episódios recentes, ocorreu em outubro deste ano. Na ocasião, uma cobra-coral foi capturada pelos bombeiros, na Zona sul da cidade.
Cobras em lugares “inusitados”
Gavetas, armários, motor de carro. Estes são só alguns exemplos de lugares onde cobras já foram encontradas pela população.
De acordo com o ofidista dos Bombeiros Voluntários, Fábio Silvério, geralmente esses animais vão até os ambientes em busca de comida e, como têm facilidade de entrar em qualquer lugar, acaba gerando “sustos inesperados”.
“Recentemente, uma mulher encontrou uma cobra dentro da gaveta da cozinha. Ela foi pegar uma colher na gaveta e encontrou a serpente lá dentro”, relembra.
Fábio (ao centro) orienta sobre os cuidados que se deve ter ao encontrar cobras – Foto: Corpo de Bombeiros Voluntários, divulgaçãoNestes casos, Fábio destaca que é importante que as pessoas mantenham a calma e não tentem se aproximar ou tocar nos animais, já que eles só atacam quando se sentem ameaçados.
“Quando encontrar uma cobra em matas, a pessoa só deve desviar o caminho. Já nas casas, a orientação é afastar animais e crianças e acionar os bombeiros. Outra coisa importante é que, até a chegada da equipe, um dos moradores permaneça na casa a uma distância segura do animal, para que, dessa forma, possa nos orientar o local exato onde a cobra está”, explica.
Ao encontrar uma cobra, a pessoa não deve matá-la, já que a ação se configura em crime ambiental, com pena de detenção de seis meses a um ano, além do pagamento de multa. Após a captura, os animais devem ser devolvidos ao seu habitat natural.
Para evitar que esses animais apareçam, a principal dica é que as pessoas mantenham terrenos limpos, recolha entulhos e outros objetos que possam servir de “esconderijo” a esses animais.
Em casos de mordida, manter a calma é principal orientação
Os animais peçonhentos, segundo Fábio, são divididos em três grupos: não venenosos, veneno fraco ou semi-peçonhentos e peçonhentos. Esta última classificada com importância médica.
“A grande maioria das cobras que capturamos não é peçonhenta. Porém, aqui, principalmente na região Norte, entre as peçonhentas, três espécies são as mais comuns: jararaca, jararacuçu e a coral”, conta.
Se a pessoa for picada por uma cobra, a principal orientação é manter a calma e esperar o atendimento, já que cada situação apresenta um sintoma diferente.
“Além disso, não é aconselhável que a pessoa vá diretamente ao hospital, mas sim acione os bombeiros antes para que seja feito o encaminhamento à unidade. Lá, o médico responsável vai identificar o causador da picada e aplicar o soro correspondente”, orienta.