De porte grande, galhos volumosos, folhas bem verdes e flores exuberantes, a árvore bisnagueira ganhou fama nesta semana em Joinville. O motivo é que um projeto de lei pretende proibir o plantio da espécie na cidade, com direito a multa de mais de R$ 3 mil para quem descumprir a determinação.
Bonita, mas perigosa: árvore bisnagueira ganhou fama em Joinville – Foto: CVJ/DivulgaçãoA Spathodea campanulata, nome científico da árvore, chama a atenção pela beleza, mas é perigosa. Isso porque o néctar dela pode levar abelhas à morte, além de fazer mal a pássaros como o beija-flor.
A bióloga Karin Esemann Quadros explica que a árvore tem néctar abundante, o que atrai os animais, principalmente abelhas de diversas espécies. O problema é que esse néctar possui um composto com efeito tóxico. “Ela atrai os insetos e muitos deles sucumbem dentro das flores”, explica a especialista.
SeguirSegundo ela, há estudos que indicam que o problema da planta está na interação entre os elementos do néctar. “Perceberam que usando os componentes separadamente eles não tinham o mesmo efeito tóxico sobre os animais que o composto”, ressalta.
Árvore bisnagueira não é nativa e, por isso, pode ser cortada
A biológa Karin explica que a bisnagueira é uma parente dos ipês. A diferença é que os ipês são árvores nativas do Brasil, enquanto a colega tem origem africana.
Bisnagueira é originária da África e foi trazida ao Brasil como planta ornamental – Foto: Gladionor Ramos/NDTVEla chegou ao país como árvore ornamental, justamente por causa do grande porte e beleza. Os atributos da espécie fizeram com que fosse muito usada em praças e jardins de várias cidades e tivesse ampla disseminação na região de Joinville.
Por não ser uma planta nativa, a bisnagueira não é protegida pela legislação. “Como não é um componente natural da nossa paisagem, ela pode ser cortada sem maior restrição”, diz Karin.
Projeto quer proibir a produção da bisnagueira em Joinville
O plantio da bisnagueira, também chamada de xixi-de-macaco-, chama-da-floresta e tulipeira-do-gabão, já é proibido em toda Santa Catarina desde 2019 por meio de uma lei estadual.
Porém, o vereador de Joinville Adilson Girardi (MDB) propôs a lei na cidade para poder modificar o Código Municipal do Meio Ambiente. “Era necessário reaplicar a lei aqui e a fizemos um pouco mais abrangente para contemplar outros tipos de árvore que são prejudiciais ao meio ambiente, mas também à infraestrutura”, explica.
Adilson Girardi é o criador do projeto de lei que proíbe o plantio das bisnagueiras em Joinville – Foto: Mauro Artur Schlieck/NDA proposta, segundo Adilson, surgiu após conversas com a associação de apicultores da cidade. “Uma das demandas era sugerir ao governo municipal que privilegiasse árvores que são propícias para alimentação das abelhas. Aí perguntamos se existe alguma que não é boa e nos responderam que há essa, que é venenosa e causa a mortandade das abelhas”, destaca o vereador.
O projeto de lei já foi aprovado pela Comissão de Legislação, mas ainda deve passar pela Comissão de Urbanismo antes de ser encaminhado para votação em plenário.
*Com informações de Maikon Costa, repórter da NDTV Joinville