Uma notícia emocionante ecoou pelas matas da Ilha de Santa Catarina: após 260 anos de extinção local, o bugio-ruivo retorna a Florianópolis, trazendo a esperança de restaurar o equilíbrio natural e a biodiversidade da região.
O projeto trouxe Ruivo, Ranhento e Sem Cauda para Florianópolis – Foto: Daniel De Granville/Divulgação/NDNa última terça-feira (9), três macacos foram soltos no Parque Estadual do Rio Vermelho, na região Norte da Ilha — Mata Atlântica de Florianópolis. Seus nomes: Ruivo, Ranhento e Sem Cauda.
O ato, do Programa Silvestres SC, foi liderado pelo Instituto Espaço Silvestre, com o apoio do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina).
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Os primatas, atualmente, encontram-se em liberdade, mas permanecem sob vigilância constante dos pesquisadores do Silvestre SC, que têm planos de realizar novas reintegrações à natureza nos meses seguintes.
Bugios foram soltos no Parque Estadual do Rio Vermelho, área norte da Ilha – Foto: Daniel De Granville/Divulgação/NDRuivo, Ranhento e Sem Cauda são pioneiros nesse processo, desde que a iniciativa teve início em 2019, quando o Instituto Espaço Silvestre começou a co-gerir o CETAS-SC (Centro de Triagem de Animais Silvestres de Santa Catarina).
Em liberdade, trio permanece sob vigilância constante de pesquisadores – Vídeo: @raianeguidi/Instagram/Reprodução/ND
Diante do elevado número de bugios em fila para destinação e da extinção local desses animais na Ilha, devido a desmatamento e caça, o Silvestres SC assumiu a missão de trazer esses primatas de volta, após um último registro de presença na cidade remontado a 1763.
Florianópolis é lar ideal para os ruivinhos
Atualmente, quase metade da Ilha é composta por unidades de conservação, ambientes propícios para a reintrodução da espécie. Estudos indicam que a Florianópolis pode abrigar até 1452 indivíduos.
Último registro em Florianópolis havia sido em 1763 – Foto: Daniel De Granville/Divulgação/NDOs locais escolhidos para a soltura dos animais são: o Parque Estadual do Rio Vermelho (onde Ruivo, Ranhento e Sem Cauda estão), o Refúgio de Vida Silvestre Municipal Meiembipe e o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri.
Além disso, por serem nativos da Mata Atlântica, esses primatas desempenham um papel fundamental na natureza. Sua presença contribui para a dispersão de sementes, promovendo a regeneração da floresta e restabelecendo interações ecológicas essenciais para um ecossistema saudável.
O bugio-ruivo é classificado como vulnerável e um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo – Foto: Daniel De Granville/Divulgação/NDO bugio-ruivo é classificado como vulnerável e um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo. Para assegurar o sucesso do projeto, membros da comunidade são convidados a se tornarem “cidadãos cientistas”, participando de atividades de educação ambiental e auxiliando no monitoramento dos bugios após sua reintrodução.
Bugio-ruivo passou por longo processo de preparação
A família de Floripa, composta por Sem Cauda, Ranhento e Ruivo, passou por uma fase intensa de reabilitação. Com mais de 4 anos e meio dedicados ao processo, incluindo exames clínicos, imunização contra a febre-amarela e aprendizado de habilidades comportamentais essenciais, os três estão agora prontos para viverem novamente em liberdade.
A família passou por mais de 4 anos de preparação – Foto: Daniel De Granville/Divulgação/NDO processo de ambientação, etapa final da reabilitação, é crucial para a adaptação dos bugios à vida selvagem. Localizados em recintos no coração da floresta, os primatas se habituam aos estímulos naturais e a uma alimentação composta por folhas, flores e frutos nativos da área de soltura.