De opção para um cardápio refinado à incomodação em vários locais do Brasil: os caramujos africanos chegaram ao país na década de 1980 como uma alternativa ao escargot, prato requintado feito à base de caracóis. Porém, sem fazer sucesso na culinária, foram descartados, dando início a uma proliferação que causa riscos, inclusive em Joinville.
Caramujos africanos se reproduzem rapidamente e podem até transmitir doenças – Foto: Pixabay/NDNa maior cidade de Santa Catarina, a visita dos invasores não é uma novidade, mas tem aumentado nos últimos meses. Em um terreno no Costa e Silva, na zona Norte, o número de caramujos incomoda os moradores.
“Em novembro, a gente percebeu poucos andando pela calçada. Mas no último domingo, quando vim abrir o portão, eu notei vários. Inclusive, já estão atravessando a rua. É um problema pra gente, que tem cachorro e criança”, fala a jornalista Lygia Veny Casas, que mora no bairro.
SeguirLygia conta que já entrou em contato com a Prefeitura e reclama de informações desencontradas sobre o que fazer em relação aos animais. “Esse desencontro de informações atrasa e os bichos vão se proliferando”, destaca.
Segundo a bióloga Gilian Rose da Silva, os caramujos africanos não possuem predadores e podem até prejudicar lavouras e horas. “Eles vão para áreas de cultivo de hortaliças, plantas ornamentais e atacam a mata nativa. Competem com nossos animais que se alimentariam disso e também acabam matando outros caramujos naturais”, explica.
Além disso, a espécie pode até mesmo transmitir doenças, embora nenhum caso tenha sido registrado no Brasil até o momento.
Como evitar e o que fazer com os caramujos africanos
A biológa Gilian Rose da Silva explica que o melhor a se fazer para controlar a infestação é manter os ambientes limpos, sem lixo e com grama baixa.
No site da prefeitura de Joinville, há orientações sobre o que fazer caso um morador encontre os animais:
- Proteger as mãos com luva ou saco/sacola plástica;
- Coletar o(s) molusco(s) e colocá-lo(s) em outro saco/sacola plástica;
- Fechar o saco/sacola;
- Levá-lo(s) à unidade básica de saúde mais próxima da sua casa;
- Depositar saco/sacola em tambor específico nos canais informados.
Nas unidades de saúde, há tonéis específicos para o recebimento dos animais que, posteriormente, são recolhidos pela Ambiental e incinerados de forma segura. Em caso de dúvidas, também é possível ligar para o Web-Saúde da prefeitura, no número 3481-5165.
Segundo o município, no caso do bairro Costa e Silva, um profissional vai entrar em contato com os moradores para orientá-los.
*Com informações da repórter Sabrina Aguiar, da NDTV