“Casas vão estar no mar”: moradores do Morro das Pedras fecham via e exigem soluções

Comunidade bloqueou via para chamar atenção do poder público; ressaca marítima colocou em alerta 12 casas e 50 moradores

Foto de Nícolas Horácio e Felipe Bottamedi

Nícolas Horácio e Felipe Bottamedi Florianópolis

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“Está todo mundo desesperado. Estamos fazendo isso para chamar a atenção da Prefeitura e poder público com urgência. Se demorarem uma ou duas horas, as casas já vão estar no mar“, desabafa Tadeu Lins, diretor administrativo da ACMP (Associação Comunitária do Morro das Pedras).

Ele integrou na tarde desta segunda-feira (24) uma manifestação exigindo medidas urgentes para os moradores do bairro cujas casas estão ameaçadas pela ressaca do mar. Os moradores fecharam por 50 minutos a rodovia Francisco T. dos Santos, a partir das 15h.

Desde o dia 10 de maio, cerca de 50 moradores estão vivendo em área de risco devido à erosão marinha. Com o avanço da maré na última sexta-feira (21), os moradores da rua Manoel Pedro Vieira estão vendo a faixa de areia que separa as casas do mar ficar cada vez menor.

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A Defesa Civil monitora o local há mais de um mês, e já notificou cerca de 12 proprietários que vivem no local.

Os moradores atingidos se reuniram no protesto, que foi acompanhado pela Polícia Militar. Eles bloquearam a pista com toras, e colocaram fogo em placas de madeiras e vegetação, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades.

“As famílias estão abandonadas. A Defesa Civil vem, olha e não faz nada”, afirma Evandro Bispo, construtor e agente comunitário. Ele mora na casa do tio, uma das 12 casas monitoradas. O terreno de 20 metros que separava a casa do mar foi reduzido a três nas últimas semanas.

"Casas vão estar no mar": moradores do Morro das Pedras fecham via e exigem soluçõesAvanço do mar no Morro das Pedras – Foto: Carlos Bortolotti/Divulgação/ND

Entre outras coisas, a comunidade quer a construção de um enrocamento para conter as ondas e a realização de reuniões presenciais com o poder público.  Também contesta a proibição de novas construções para proteger as casas, assim como os pedidos para remoção de deques e construções.

“Estamos de mãos atadas vendo o mar avançar. Isso não tem cabimento, estamos à mercê da maré. Pagamos IPTU e ninguém nos ajuda”, lamenta outra moradora do Morro das Pedras, que não se identificou. “Não dormimos e não conseguimos trabalhar, assustados com o mar”.

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    Os moradores utilizaram toras para bloquear a pista - NÍcolas Horácio/ND
    Os moradores utilizaram toras para bloquear a pista - NÍcolas Horácio/ND
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    Eles também queimaram placas de madeiras e vegetação para chamar atenção ao problema - NÍcolas Horácio/ND
    Eles também queimaram placas de madeiras e vegetação para chamar atenção ao problema - NÍcolas Horácio/ND
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    O protesto durou 50 minutos - NÍcolas Horácio/ND
    O protesto durou 50 minutos - NÍcolas Horácio/ND
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    O Comandante do 1° Batalhão do Sul da Ilha negociou com os manifestantes e prometeu levar a causa às autoridades. Depois da conversa, foi ver a situação das casas - NÍcolas Horácio/ND
    O Comandante do 1° Batalhão do Sul da Ilha negociou com os manifestantes e prometeu levar a causa às autoridades. Depois da conversa, foi ver a situação das casas - NÍcolas Horácio/ND
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    A Polícia Militar encerrou o protesto, com a proposta de diálogo com a comunidade - NÍcolas Horácio/ND
    A Polícia Militar encerrou o protesto, com a proposta de diálogo com a comunidade - NÍcolas Horácio/ND

Interdições

As 12 propriedades estão dispostas em uma área de 200 metros na orla da praia do Morro das Pedras. Ao todo, nove interdições foram realizadas pela Defesa Civil, sendo três casas, duas habitadas e uma de veraneio.

Desde que o problema começou, também foram registradas 11 quedas de muro na praia.

Entre os estragos causados pelo avanço do mar, estão a queda de uma edícula, um deque e uma piscina. Os escombros ainda permanecem no local, e devem ser retirados pelos moradores depois que a maré baixar.

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