A engenheira civil catarinense Luana Siewert Pretto assumiu nesta segunda-feira (14) a presidência executiva do Instituto Trata Brasil, focado em estudos sobre o saneamento básico. Ela defende uma “união de esforços” para que o país consiga cumprir o marco legal do saneamento até 2033.
Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil – Foto: Divulgação/NDVocê defende uma união de esforços para melhorar o cenário de saneamento básico no país. Qual é o caminho para isso?
Meu objetivo é que todos elos da cadeia conversem e possam cumprir as metas do marco legal do saneamento. É a indústria (que produz os materiais), os órgãos de governo (que licenciam as obras), as concessionárias (responsáveis por executar o operar o saneamento) e as agências reguladoras. Dentro disso, precisamos acompanhar se o marco legal está acontecendo. Os leilões estão sendo realizados? Dentro disso, as obras estão sendo executadas? As operações estão de acordo com as normas ambientais?
O Brasil tem um grande desafio para cumprir a universalização do saneamento básico até 2033, não é?
A gente vai ter que trazer novos players. Hoje a gente investe R$ 15 bilhões por ano e para chegar à meta do marco legal precisamos investir cerca de R$ 40 bilhões/ano. Para isso, precisa ter dinheiro no setor. O governo não tem como arcar com todo esse investimento. Por isso foi feito um decreto que obriga as companhias a comprovarem sua capacidade financeira para cumprir as metas do governo. As que conseguirem, seguem em frente e as que não conseguirem vão ter que buscar uma solução. A Ana (Agência Nacional de Águas e Saneament0) tem o papel de fiscalizar se esses marcos estão sendo cumpridos.
Quais os impactos positivos dos investimentos em saneamento?
A cada real investido em saneamento são economizados R$ 4 em saúde. Com investimento em tratamento de esgoto, a gente despolui nossas praias e rios – e isso faz com que reduza muito a incidência de incidências de doenças como hepatite, esquistossomose, cólera etc. Temos 35 milhões de pessoas sem acesso à agua e 100 milhões sem acesso a tratamento de esgoto no país. É por isso que se considera o novo marco de saneamento como o maior programa ambiental da América Latina.
E o senso comum de que as obras de saneamento não dão voto e, por isso, muitas vezes acabam negligenciadas. Esse panorama vem mudando?
Isso foi uma realidade de muito tempo. Hoje, com mais informação, a população consegue entender mais a importância do saneamento. Mas temos um longo caminho pela frente em termos de mudança de cultura. E esse é o trabalho do Trata Brasil, trazer essa consciência, transformar dados em informação e em conhecimento para a sociedade.