Cientistas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) vão estudar o “mistério do esgoto” na Lagoa do Peri, em Florianópolis. O anúncio foi feito pela universidade no fim de tarde desta quarta-feira (9).
Pesquisadores da UFSC vão analisar água da Lagoa do Peri – Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal/NDSegundo a UFSC, a equipe multidisciplinar vai contar com pesquisadores nas áreas de biologia, ecologia, microbiologia, biotecnologia e saneamento da universidade.
O objetivo é diagnosticar os motivos da anormalidade da cor e, a partir disto, propor ações de gestão a serem adotadas. Chamado de “Caracterização biogeoquímica emergencial da Lagoa do Peri (SOS-Peri)”, o projeto conta com apoio e financiamento institucional da UFSC – envolvendo o Gabinete da Reitoria, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pró-Reitoria de Extensão.
SeguirA Lagoa do Peri é responsável pelo abastecimento de água para 100 mil pessoas no Sul da Ilha de Santa Catarina e o estudo é uma demanda de setores da sociedade e instituições locais para diferentes grupos de pesquisa e laboratórios da UFSC.
A caracterização do estado da lagoa irá observar prováveis desdobramentos ambientais e sanitários no local. Os resultados serão compartilhados com a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) e com a Casan.
De acordo com o biólogo e professor da UFSC Paulo Horta, que participa do grupo, a espuma branca registrada nos últimos dias no local, além do odor fétido e água escura, é resultado da produção do processo de movimentação dinâmica de matéria orgânica em suspensão.
Horta diz que há ainda a possibilidade de proliferação de algas no local. No entanto, o profissional alerta que é preciso ter cautela para tratar do assunto e aguardar análises que digam o que de fato é a espuma registrada.
O biólogo explica que é preciso fazer bons e profundos processos de avaliação de impacto na Lagoa do Peri que permitam planejar uma série de ações. Entre elas, o monitoramento detalhado informador e claro sobre o que tem acontecido no local.
Floram acompanha situação
Em nota a Floram (Fundação Municipal do Meio-Ambiente) diz que acompanha a situação.
A Floram está acompanhando a situação atinente à mudança de coloração na Lagoa do Peri. Os parâmetros de qualidade da água são constantemente mensurados pela Casan, responsável pela coleta e abastecimento da região.
Análise inicial aponta bactérias na Lagoa
Uma análise inicial foi realizada no final de maio pelo Lacif (Laboratório de Ficologia) da UFSC. As conclusões preliminares não evidenciaram a presença de microalgas e cianobactérias, problemas já surgidos no local.
“Possivelmente sejam pertencentes a grupos de bactérias heterotróficas ou algum grupo incomum de bactérias fotossintetizantes. Há uma possibilidade de que essas células ou estruturas, não observadas anteriormente na Lagoa do Peri, sejam responsáveis pela coloração anômala”, aponta nota do professor e pesquisador do Lafic, Leonardo Rörig, integrante da equipe multidisciplinar.
O documento informa a possibilidade remota “de que esse material fosse de origem mineral, como cristais ou mesmo incrustações de sais oriundas de decomposição da vegetação”. Uma nova coleta deve ocorrer nesta quinta-feira (10) caso as condições climáticas e operacionais sejam favoráveis.