Os bombeiros militares realizaram no inverno de 2023 o maior número de capturas de animais peçonhentos em Santa Catarina dos últimos três anos. A alta nas temperaturas é um dos fatores apontados pelos biólogos como possível causa para a maior circulação das espécies.
Cobra-coral encontrada no Centro de Florianópolis no último dia 25 – Foto: Arquivo/CBMSC/Divulgação/NDConforme o CBMSC (Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina), foram 292 capturas de animais peçonhentos como serpentes, aranhas e escorpiões, registradas entre 21 de junho e 23 de setembro, início e fim do inverno, respectivamente.
O total de ocorrências representa aumento de 13,6% quando comparado aos dados de 2022, ano em que a corporação registrou 257 capturas na estação mais fria do ano. A discrepância é maior quando comparada ao inverno de 2021, quando 218 ‘aparições’ foram documentadas pela corporação. A diferença é de 33,9%. A corporação não segmenta os dados por tipo de animal.
SeguirDentre as espécies cuja frequência aumentou está a cobra. Nas últimas semanas Florianópolis registrou uma série de ocorrências: uma jararaca foi encontra na porta de uma casa e uma cobra coral foi flagrada na garagem de um prédio no Centro da Capital, por exemplo.
“Como o inverno foi ameno, pode ser que as serpentes ficaram mais ativas”, suspeita o biólogo Tobias Saraiva Kunz, especialista no estudo de répteis. “Em dias quentes há mais chance de encontrar os animais sangue-frio, que dependem da temperatura do ambiente”, detalha o biólogo.
É por este motivo que as serpentes praticamente somem na estação fria do ano. “Em temperaturas baixas elas não entram em atividade. Mas quando temos inverno mais quente temos a maior presença das cobras. Há mais atividade”, destaca o biólogo.
Primavera também será quente em SC
É provável que as notícias envolvendo cobras continuem recorrentes na estação que teve início no último dia 23. A primavera de 2023 promete ser de muito calor e fortes temporais, com temperaturas acima da média prevista para a estação.
A razão é o fenômeno climático-oceânico que rege a estação: o El Niño, que influencia o Estado desde junho de 2023, ocorre em razão do aquecimento da temperatura do oceano, que oscila entre 1,1°C e 1,6ºC acima da média e dá as condições para o calor intenso e as chuvas no Estado, de acordo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).
O fenômeno deve se intensificar nos próximos meses, alcançando a categoria de classificação forte e persistir até março de 2023, aponta o APCC (APEC Climate Center), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul.
Cuidados
O CBMSC sugere os seguintes cuidados para quem se deparar com espécies peçonhentas:
Medidas preventivas
- Evite o acúmulo de lixo e entulho;
- Mantenha jardins e terrenos baldios limpos;
- Apare o gramado e recolha folhas caídas;
- Coloque lixo em sacos plásticos e feche-o corretamente;
- Vede aberturas da casa podem facilitar o acesso dos animais, como soleiras de portas e ralos;
- Examine roupas, calçados, toalhas e roupas de cama antes de usá-las;
- Evite andar descalço;
- Use luvas de proteção ao trabalhar com materiais estocados (ex: lenha)
Primeiros Socorros
- Lave o local com água e sabão;
- Mantenha a vítima em repouso absoluto (não a faça caminhar, correr, etc);
- Remova anéis, pulseiras, braceletes e outros adornos;
- Se a vítima estiver consciente, ofereça água para ela beber;
- Eleve o local afetado;
- Se possível, leve o animal para identificação (mesmo morto);
- Assim que possível ligue para o Centro de Informações Toxicológicas; e
- Leve a vítima ao pronto-socorro imediatamente
Não faça
- Não amarre o membro ou faça torniquete;
- Não corte o local da picada;
- Não chupe o local da picada; e
- Não coloque substâncias no local da picada.