Saindo das galerias e indo para as ruas do bairro Ingleses, em Florianópolis, as intervenções culturais vêm tomando espaço na conscientização ambiental dos moradores locais.
Projeto “Trato Pelo Capivari”, bairro Ingleses recebe ações urbanas de cuidados ambientais – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDPor meio do Projeto Trato Pelo Capivari, financiado pela Casan (Companhia de Águas e Saneamento), que organiza instalações sanitárias prediais em casas, comércios e estabelecimentos da região, ações vêm sendo promovidas a fim de ajudar na limpeza dos resíduos que são levados pelas águas pluviais às redes de drenagem do Capivari.
Iniciado há dois meses, o Trato levanta a questão do saneamento básico e da preservação do meio ambiente nos Ingleses por meio do Rio Capivari, que é o principal da região. Por conta disso, ele também recebe uma alta incidência de esgoto, que juntamente as suas águas, polui também a praia, quando encontra o mar.
SeguirApesar dessa realidade, o rio ainda possui muitos trechos de mata ciliar preservada. Nesses locais, a população tem o costume de parar e observar esse corpo hídrico, segundo relatos de Sara Borém, responsável pelas ações de mobilização social e educação ambiental no programa. Dessa forma, ainda há um sentimento muito grande de pertencimento local no ambiente.
Aproveitando essa deixa, Sara, que também é promotora cultural, iniciou projetos de ocupações urbanas através da arte no bairro. Por ser muito movimentado, as pinturas promovidas pelo Trato, que tem como fim de levar mensagens de preservação ambiental aos pedestres, são observadas. Isso porque, em meio a um espaço de construções, imagens coloridas fixadas nos passeios atingem quem está caminhando no local.
Intervenção cultural em uma boca de lobo toma forma para atrair pedestres à conscientização ambiental do Rio Capivari – Foto: Tito Pereira/Trato Pelo Capivari/Divulgação/NDAs ações culturais no Trato Pelo Capivari
Através de artes subjetivas, como a ação “O Rio Capivari está aqui”, criado pela artista Gugie Cavalcanti, que alerta para a presença do Capivari onde menos as pessoas esperam, Sara diz que pretendem trazer a conscientização ambiental por esse meio.
Gugie Cavalcanti dando forma à intervenção artística no bairro Ingleses – Foto: Tito Pereira/Trato Pelo Capivari/Divulgação/ND“Eu penso que a cultura e a arte são metodologias muito interessantes para chegarmos em algum lugar”, diz a engenheira sanitarista. A ação já está atraindo olhares curiosos, o que é um bom sinal. Na última semana, um grupo que promoveu a coleta de lixo na praia dos Ingleses fez fotos na intervenção, o que auxilia no compartilhamento da ideia.
Outras ações como essa estão sendo pensadas para o final do ano. Ainda, há intenções de promover um “cine ambiental”, com projeções de filmes que tragam essas ideias de preservação na praça local dos Ingleses. Em outra instância, uma possível parceria com a turma de Arquitetura da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), está sendo debatida, para que mais ações sejam executadas.
Outra ação relevante montada no bairro foi o “esgotômetro”, um relógio digital que informa quanto esgoto deixou de ir para o Capivari desde que o Trato está atuando no bairro. O artefato mede em litros e metros cúbicos a quantidade de resíduos que deixaram de poluir o meio ambiente.
“Floripa, eu curto, eu cuido”
Na última sexta-feira (3), o Trato Pelo Capivari fez sua primeira ação pública com a comunidade local. Na campanha “Floripa, eu curto, eu cuido”, a equipe, em parceria com um jornal local do bairro, distribuiu mudas, adesivos de campanha e materiais informativos acerca de seus trabalhos realizados no Capivari.
A equipe esteve à disposição para atender moradores e esclarecer dúvidas sobre a preservação ambiental no local. “A união do Trato com a comunidade dos Ingleses é o melhor instrumento para recuperar o Rio Capivari”, alerta Sara.