Com vistoria marcada por órgãos ambientais, a Lagoa da Conceição clama por ações concretas

Por enquanto, apenas ações de monitoramento da qualidade da água e análises laboratoriais estão em andamento, mas Floram garante prioridade para a situação da lagu

Cristiano Rigo Dalcin Florianópolis

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A Lagoa da Conceição clama por ações concretas de despoluição após episódios recentes, como o rompimento da lagoa artificial de efluente tratado da Casan e a mortandade de peixes verificada na Costa da Lagoa.

Por enquanto, apenas ações de monitoramento da qualidade da água e análises laboratoriais estão em andamento, e uma vistoria técnica na região norte, próximo ao Parque do Rio Vermelho e a Costa da Lagoa será realizada nesta quarta-feira (3).

Lagoa da Conceição após extravasamento de esgoto no Centrinho em fevereiro de 2020. Foto: Anderson Coelho/NDLagoa da Conceição após extravasamento de esgoto no Centrinho em fevereiro de 2020. Foto: Anderson Coelho/ND

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Braga, uma comissão da Floram, que trabalha desde 25 de janeiro, tem se reunido com técnicos do IMA (Instituto do Meio Ambiente) e UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) com a intenção de formar parcerias para encontrar soluções para a Lagoa da Conceição.

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A vistoria marcada para esta quarta-feira é realizada em parceria com o IMA, e a verificação será feita inclusive com o sobrevoo de um drone.

“Estamos fazendo um grande trabalho em conjunto e em colaboração com os outros órgãos. A situação da Lagoa da Conceição hoje é a prioridade da Diretoria de Licenciamento Ambiental”, garante a gerente de Licenciamento, da Diretoria de Licenciamento Ambiental da Floram, Caroline Pereira da Silva Nunes.

Lagoa artificial rompeu e provocou desastre ambiental no último dia 25 de janeiro. Foto: Divulgação/CBMSC/NDLagoa artificial rompeu e provocou desastre ambiental no último dia 25 de janeiro. Foto: Divulgação/CBMSC/ND

Em relação ao desastre ambiental ocorrido em 25 de janeiro, a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Floram, aplicou multa de R$ 15 milhões à Casan pelos danos causados. A companhia apresentou recurso no dia 17 de fevereiro, último dia de prazo, que está em análise pelo corpo técnico do órgão ambiental municipal.

Nos próximos dias a Floram promete divulgar o resultado das análises do recurso à multa e do PRAD (Plano de Recuperação de Área Degradada), ambos apresentados pela Casan, assim como das análises de laboratório contratado pela prefeitura para apurar a extensão do dano causado.

“Desde que a Casan siga à risca o plano de recuperação, acredito que possamos recuperar a Lagoa da Conceição”, aponta Fábio Braga. A Floram também trabalha novas condicionantes ambientais nas futuras licenças para minimizar riscos de desastres.

A Floram também coletou amostras de água após a mortandade de peixes registrada na Costa da Lagoa no final do mês, quase 30 dias após o desastre ambiental na Avenida das Rendeiras. O resultado das análises ainda não foi divulgado.

Nota técnica dos pesquisadores da UFSC

Já os pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), do projeto Ecoando Sustentabilidade, que acompanharam a coleta feita pela Floram, divulgaram uma nota técnica no último dia 25 de fevereiro, após a constatação da mortandade de organismos e o cheiro de água podre na Lagoa da Conceição.

De acordo com o documento, duas hipóteses podem explicar o ocorrido: a aceleração do aumento de concentração de nutrientes na água (conhecido como processo de eutrofização) com a floração de algas e a expansão da zona morta, que são áreas com baixíssimas concentrações de oxigênio.

Os pesquisadores também fizeram algumas recomendações, como não dragar ou alargar o Canal da Barra, para não intensificar a influência marinha sobre a laguna, além do monitoramento do ecossistema da Lagoa da Conceição e a mitigação de danos e restauração ambiental e ecológica.

Além disso, segundo os pesquisadores, há a necessidade de remoção imediata dos animais mortos e da matéria orgânica acumulada nas áreas rasas e superficiais, para evitar o agravamento da crise e problemas de saúde pública.

O documento também recomenda a interdição imediata de uso da Lagoa da Conceição para atividades de contato primário, como banho, e a produção de material de divulgação e de advertência em relação às áreas de risco de algas tóxicas.

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