Conteúdo Especial, Branded Studio ND, Florianópolis - 18 de outubro de 2022

Como o biogás tem sido usado nas produções agrícolas de Santa Catarina

Pesquisa e investimento em biodigestores transformam dejetos de animais e restos de alimentos em biogás, gerando energia limpa e sustentável no campo

A produção de biogás também é uma realidade nos centros urbanos – Foto: DivulgaçãoA produção de biogás também é uma realidade nos centros urbanos – Foto: Divulgação

Você sabia que existe uma forma sustentável de criar energia? O biogás é um exemplo disso; ele surge a partir da transformação de dejetos de animais e restos de alimentos, gerando energia limpa.

Buscando saber mais sobre o biogás, o programa Agro, Saúde e Cooperação visitou uma granja que, através da bovinocultura produz muito mais do que o leite. O avô do veterinário Vicente Bortoluzzi já possuía um biodigestor em 1970, algo que incentivou o neto a inovar com a geração de energias renováveis, através do biogás. “- Melhorou muito no manejo dos dejetos, facilitou muito, antes sem ter essa decomposição no biodigestor o manejo para a dispersão de biofertilizante era bem mais difícil e a economia de energia, né. Praticamente 70% da nossa energia hoje vem do biogás” – explica Vicente.

Como a Embrapa auxilia na produção do biogás

A Embrapa é a empresa brasileira de pesquisa agropecuária e é nela que ocorre todo o desenvolvimento científico do biogás e do biometano em Santa Catarina. A instituição, que fica em Concórdia, é uma referência em aprimoramento tecnológico para suínos e aves. É a partir do dejeto desses animais que o centro de pesquisa desenvolve o biogás. Tudo começa no laboratório de estudos em biogás. Todo o trabalho de pesquisa sobre biogás ou biometano por parte da Embrapa começou nos anos 1980 e, desde então, evoluiu consideravelmente.

“ – Os processos de geração de biogás, uma melhor atividade dos biodigestores começa com o resíduo, que a gente chama de substrato para geração de biogás, lá dentro das instalações, ou seja, na qualidade da ração, no manejo dos animais, na redução do desperdício de água dentro das instalações e, também, no tempo de permanência desses dejetos no interior dessas instalações. Tudo isso contribui de uma maneira positiva ou negativa – quando não for bem feito – para a geração de biogás” – explica o pesquisador Airton Kunz.

O pesquisador também explica que eles estudam a capacidade de geração de biogás de cada resíduo. Depois o material vai para dentro de frascos, em um processo que se chama, inoculação. Aí ele inocula sobre condições controladas e os profissionais vão medindo dia a dia o quanto de biogás que o material está produzindo.

Segundo Airton, todo o material que é biodegradável, que pode ser usado como alimento pelos microrganismos, pode gerar biogás, como os resíduos da produção animal, os dejetos, soro de leite, lodo de agroindústria, entre outros, todos esses materiais que são biodegradáveis podem ser utilizados no processo de geração de biogás.

Cada análise, cada variação sobre os componentes da biomassa e do processo de transformação dos dejetos e rejeitos em biogás, mostram quais mudanças precisam acontecer para que a geração de energia ocorra com qualidade e segurança.

O pesquisador Ricardo Steinmetz aponta que o biogás está se inserindo na matriz energética de uma maneira tecnológica, o que é bom, pois traz mais segurança para os investimentos.

Biometano da Embrapa já movimentou um carro

Sabia que uma das pesquisas realizadas pela Embrapa possibilitou o movimento de um carro? O biogás feito com esterco de suínos passou por um processo de purificação e virou biometano, um combustível que não agride o meio ambiente e que já abastece um dos veículos da unidade de Concórdia, com total segurança e autonomia.

Com o GNV o carro é capaz de percorrer até 25 quilômetros por metro cúbico de gás e ele não é o único dentro do meio rural. Hoje já existem tratores que são desenvolvidos para utilizar o biometano.

Ricardo explica que quimicamente é a mesma composição, o veículo é um carro normal, apenas convertido para GNV – gás natural veicular. Aí há a purificação do biogás, para que ele se transforme em biometano e possa ser utilizado, criando uma outra alternativa para as soluções de mobilidade – urbana ou rural. Pois com o biometano é possível substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia.

Do lixo ao gás de cozinha

Uma forte tendência que vem sendo trabalhada através da pesquisa é a transformação de alguns alimentos em energia. O Ceasa de São José possui um biodigestor em escala reduzida da empresa Kemia e todas as sobras de produtos orgânicos são imensas. No equipamento tem restos de verduras, legumes e frutas, matéria-prima para a produção do biogás.

“ – Nós coletamos resíduos de frutas, legumes e verduras que seriam descartados pelas fruteiras do município. Nós trituramos eles, homogeneizamos em concentrações adequadas para podermos alimentar o reator” – explica Laura Behling, engenheira ambiental.

Um trabalho parecido ocorre no centro de treinamento da Epagri, em Florianópolis. Lá o biodigestor serve de treinamento para os agricultores que participam dos cursos de capacitação da Epagri e também abastece com gás a cozinha do local.

A produção de biogás também é uma realidade nos centros urbanos. Todos os dias mais de 1.500 toneladas de lixo dos 23 municípios da Grande Florianópolis chegam no aterro sanitário de Biguaçu. Nele, o lixo urbano é processado e vira energia limpa, isso porque a empresa concessionária instalou uma estação de biogás, aproveitando os resíduos sólidos.

“ – Nós tratamos aqui e transformamos em energia, praticamente 8.800 megawatts/hora. Ou seja, nós conseguimos atender praticamente de 15 a 16 mil habitantes. Aqui a gente vê os três pilares da sustentabilidade, que é social, econômico e, principalmente, o ambiental” – explica Willian de Jesus Sgobbi, gerente do CGR de Biguaçu.

Aproveite também para ficar de olho no Programa Agro, Saúde e Cooperação, que vai ao ar todo domingo, às 9h, na NDTV e conta com a parceria da Ocesc e da Aurora.