O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie venenosa e considerada uma das mais perigosas da América Latina, foi encontrado em 18 dos 44 bairros de Joinville. Entre 2019 e julho deste ano, foram recolhidas mais de 180 amostras do escorpião-amarelo no município do Norte catarinense.
Conheça as espécies que circulam por Santa Catarina, quais os perigos que elas apresentam e como agir caso seja picado.
Escorpião-amarelo é considerado um dos mais perigosos da América Latina – Foto: Divulgação/CIATox/UFSCDe acordo com as informações de Taciana Seeman, bióloga do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), os escorpiões peçonhentos presentes no Estado pertencem ao gênero Tityus. As espécies são: Tityus costatus, Tityus banhiensis (conhecidos como escorpiões marrons), além do Tityus serrulatus (conhecido popularmente como escorpião-amarelo).
Seguir“Esses escorpiões são reconhecidos por apresentarem abaixo do ferrão um segundo espinho que os caracteriza”, explica a bióloga.
Tytius Costatus é uma das espécies venenosas de escorpião encontradas em Santa Catarina – Foto: Divulgação/CIATox/UFSCDe acordo com Taciana, a espécie de maior risco no Brasil é o escorpião-amarelo. Mas ela não é endêmica em Santa Catarina e é encontrada originalmente na região Sudeste do país.
Porém, ela apresenta grande capacidade de adaptação e reprodução, o que possibilita a proliferação em ambientes favoráveis, o que explica a presença em diversas partes do país.
“Estes animais possuem hábito de vida noturno, escondendo-se durante o dia sob pedras, troncos podres, restos de entulhos, com a finalidade de evitar perda de água por evaporação. Podem viver em grandes profundidades em galerias formadas por restos de construções ou tubulações antigas de esgoto”, alerta a bióloga.
Primeiros-socorros e precauções
Ao encontrar um escorpião peçonhento dentro de casa ou arredores, a primeira ação a ser tomada é entrar em contato com a a vigilância epidemiológica do município, para que eles visitem o local.
Em caso de picada/acidente com escorpião deve-se apenas, lavar o local com água e sabão e encaminhar o paciente ao hospital ou posto de saúde mais próximo, de preferência, levando o animal junto, explica Taciana Seemann.
A avaliação médica irá indicar o tratamento conforme a gravidade do caso e se há necessidade de soroterapia específica (soro antiescorpiônico ou antiaracnídico).
Confira os sintomas:
- Dor na região picada
- Febre
- Inchaço
- Ataca o sistema nervoso periférico
- Há agravamento em pessoas que têm alergia.
Uso de veneno pode piorar a situação
A especialista alerta ainda que o uso de veneno não é eficaz no combate de escorpiões.
“Algumas pesquisas mostram que o uso de venenos pode provocar inclusive o aumento da população, já que sua utilização provoca apenas o desalojamento temporário, favorecendo a dispersão de focos, pois estes animais possuem um revestimento de quitina, que os deixa impermeáveis ao veneno”, conclui.
O uso desses produtos, portanto, acaba matando outros animais e mostra eficiência baixa no controle contra escorpiões, além de apresentarem alguma toxicidade para os seres humanos e animais domésticos.
Para prevenir uma infestação de escorpiões, o que se demonstra mais eficaz, conforme a bióloga Taciana Seemann, é eliminar possíveis ambientes vida e/ou possíveis insetos que sirvam para sua alimentação.
Assim sendo, o melhor a fazer é manter o ambiente e terrenos limpos, livre de entulhos/restos de construção e com o lixo bem acondicionado.
“Vedar soleiras de portas; fechar ralos no chão; pias e tanques; verificar e sacudir calçados e roupas antes do uso e utilizar EPI’s próprios, como luvas de raspa de couro e sapatos fechados em atividades que apresentem risco de encontro com esses animais” são as outras formas de controlar a presença dos animais, diz a especialista.
Espécies de escorpiões em Santa Catarina
Além das espécies venenosas, há em Santa Catarina os escorpiões não peçonhentos, conhecidos como escorpiões pretos, do gênero Bothriurus.
Taciana Seeman explica que eles apresentam, como o próprio nome popular indica, coloração mais escura e brilhante que os Tityus.
Escorpião preto é a espécie não venenosa encontrada em Santa Catarina – Foto: Divulgação/CIATox/UFSCPortanto, em Santa Catarina podem ser encontradas três espécies peçonhentas, a Tityus costatus, Tityus banhiensis e Tityus serrulatus, e uma não venenosa, a Bothriurus Bonariensis, essa inofensiva aos humanos.
A principal base alimentar para os escorpiões são as baratas, assim como outros insetos e aranhas.
“Em caso de falta de disponibilidade de alimento, pode ocorrer canibalismo ou até mesmo passar longos períodos sem se alimentar. Seus inimigos naturais são pássaros, lagartixas, sapos e alguns mamíferos”, explica a bióloga Taciana Seemann.