Conservação da biodiversidade: projeto em Florianópolis atua na preservação das lontras

Desenvolvido por um oceanógrafo que se encantou com a espécie na Lagoa do Peri, o local é cercado pela Mata Atlântica e considerado um santuário desses animais

Jéssica Schmidt, especial para o ND Florianópolis

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Uma iniciativa em Florianópolis tem atuado com o objetivo de preservar as lontras que chegam ao litoral catarinense. É o Projeto Lontra, que nos últimos 14 anos tem projetado Santa Catarina como um centro brasileiro de turismo de conservação da biodiversidade.

Conservação da biodiversidade: projeto em Florianópolis atua na preservação das lontrasProjeto Lontra atua na preservação da espécie em Florianópolis – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND

Desenvolvido pelo oceanógrafo Oldemar Carvalho Junior há mais de 36 anos, que se encantou com a espécie na Lagoa do Peri, o local é cercado pela Mata Atlântica e considerado um santuário desses animais.

O Projeto Lontra deu frutos e foi o responsável pela criação do Instituto Ekko Brasil, em 2004. O objetivo do instituto é coordenar e apoiar projetos que tenham como foco a conservação da biodiversidade e o turismo de conservação.

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Atualmente, as ações do Lontra abrangem a recuperação, conservação e ampliação do conhecimento técnico sobre lontras e outros integrantes da família Mustelidae.

Os trabalhos são realizados por meio de dois centros de pesquisa, conservação e educação ambiental em dois importantes biomas, Mata Atlântica e Pantanal.

Aberto ao público, o espaço em Florianópolis recebe turistas, escolas e a comunidade diariamente. Os estudantes de nível infantil passam por uma verdadeira aula sobre educação ambiental antes de conhecerem os animais, num lugar preparado especialmente para recebê-los.

A educadora ambiental Elisa Bacci tenta transmitir nessas aulas o “encantamento” para as crianças. “Eu tento trazê-los para esse universo da natureza de uma forma lúdica e fazer essa sensibilização utilizando a lontra como personagem”, comenta.

Família Mustelidae

As lontras dividem espaço com outros animais da família, chamada Mustelidae, como iraras e furões. A irara é uma espécie onívora, terrestre e arbórea, que gosta de subir em árvores para fazer a caça e a coleta de frutas. Os furões são ativos, sociáveis e uma espécie 100% carnívora.

Irara macho, de aproximadamente 5 anos, cheia de energia – Foto: Divulgação/Redes Sociais/NDIrara macho, de aproximadamente 5 anos, cheia de energia – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND

As iraras podem caçar macacos, ovos de aves, alguns tipos de mamíferos e répteis. Além disso, elas também são conhecidas como papa-mel. “São diurnas e adoram invadir colmeias de abelhas e têm uma super resistência às picadas”, descreve a educadora ambiental.

A Chape, como foi batizada, foi primeira furão resgatada a chegar no projeto. Os animais que chegam ao local são órfãos e, por esse motivo, não retornam para a natureza.

Os furões são cheios de energia e só dormem após a alimentação – Foto: Divulgação/Redes Sociais/NDOs furões são cheios de energia e só dormem após a alimentação – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND

“Eles têm uma aproximação muito grande com os humanos e por conta disso não soltamos eles na natureza, pois eles podem se aproximar de pessoas e queremos mantê-los em segurança”, relata Elisa.

Os pequenos furões são mais fortes do que se imagina. Eles podem atacar animais com até três vezes o seu tamanho. Segundo a educadora ambiental, na natureza, se estiverem em 10 furões juntos, por exemplo, eles atacam animais muito maiores que eles.

As lontras

São apenas 11 espécies de lontras existentes no mundo. A lontra neotropical brasileira tem como parentes próximos, pertencentes à mesma família, o furão, a doninha, a irara e a ariranha. A espécie de lontra encontrada no Brasil é a Lontra longicaudis.

As lontras, quanto mais jovens, mais sociáveis são e interagem mais com as pessoas. O Fred é o adolescente do projeto na Capital. Ele foi resgatado na casa de um biólogo, em Porto Belo, litoral catarinense.

O biólogo seguiu o protocolo: esperou a mãe de Fred aparecer e como não a encontrou, levou a jovem lontra para o espaço e os cuidados necessários em Florianópolis. Da mesma forma que acontece com os furões, Fred não voltará para a natureza.

Desde 2018, nove lontras nasceram no projeto. Elisa ressalta ainda que as lontras criadas com a mãe não possuem a mesma ligação com os humanos, o que facilita o retorno delas à natureza.

“Nós já escrevemos um projeto de soltura, mas para isso precisamos de um patrocinador que nos ajude com a criação de um espaço, fechado para visitação, pois não ter contato com os humanos é importante nesse processo de voltarem para a natureza”, afirma.

Espécie ameaçada

A lontra é uma espécie considerada ameaçada pela Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Silvestres Ameaçadas de Extinção, em tradução livre), da qual o Brasil é signatário, pela Usesa (Ato pelas Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos) e “quase ameaçada” pela IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza).

Além da importância ecológica, a lontra também tem importância econômica. É tão importante que a IUCN possui um grupo especializado na espécie, o IUCN Otter Specialist Group.

Benefícios econômicos

Nos últimos 10 anos, a lontra tem se destacado pela capacidade de mobilização social e pelos benefícios econômicos advindos do turismo de conservação. Muitas comunidades têm se beneficiado da presença da espécie.

Estudantes da educação infantil visitam o projeto e recebem aula sobre educação ambiental – Foto: Divulgação/Redes Sociais/NDEstudantes da educação infantil visitam o projeto e recebem aula sobre educação ambiental – Foto: Divulgação/Redes Sociais/ND

Santa Catarina, por meio do Projeto Lontra, representa o estado líder no Brasil nesse segmento. A lontra é um mamífero, predador carnívoro por excelência, topo de cadeia trófica.

Desempenha o mesmo papel ecológico da onça, mas na água. Tímida, mais ativa durante a noite, é um animal difícil de ser avistado no ambiente selvagem, sendo que poucos se dedicam ao estudo dela em função das dificuldades. A falta de conhecimento é uma das maiores ameaças à espécie.

Serviço:

Horários de visitação: De segunda a sábado, das 8h às 10h da manhã e das 16h às 18h da tarde.

Taxa de visitação: R$40,00 a inteira e R$20,00 a meia entrada (de acordo com a lei municipal de Florianópolis). Não é necessário agendar.

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Floripa 350

O projeto Floripa 350 é uma iniciativa do Grupo ND em comemoração ao aniversário de 350 anos de Florianópolis. Ao longo de dez meses, reportagens especiais sobre a cultura, o desenvolvimento e personalidades da cidade serão publicadas e exibidas no jornal ND, no portal ND+ e na NDTV RecordTV.