Ao todo, o Contorno Viário de Florianópolis executa simultaneamente 13 Programas Ambientais, o trabalho realizado em toda a extensão da obra inclui o acompanhamento e recuperação das áreas degradadas durante a execução dos trabalhos – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoMuito além do monitoramento e construção dos 50 km que compreendem o Contorno Viário da Grande Florianópolis, o trabalho realizado em toda a extensão da obra inclui o acompanhamento e recuperação das áreas degradadas durante a execução dos trabalhos.
Essas ações fazem parte dos programas ambientais desenvolvidos em atendimento à Licença de Instalação do empreendimento. Durante esse processo, explica a Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pelas obras, todas as áreas utilizadas são fiscalizadas pela gestão ambiental do Contorno, e após a finalização das atividades no local, são realizadas ações para recuperá-las.
Entre as técnicas utilizadas para esta recuperação está a hidrossemeadura, aplicada em áreas de corte de solo (taludes), que compreende a recuperação da camada vegetal através do plantio por jateamento de mistura de sementes e fertilizante em áreas de solo exposto.
Na área de abrangência do Contorno, cerca de 32,4 mil m² de áreas com solo exposto tiveram aplicação de hidrossemeadura, com o objetivo de proteger os taludes contra processos erosivos, esclarece a Arteris. O plantio de grama também é uma técnica utilizada para proteção do solo exposto, e aproximadamente 68 mil m² de áreas degradadas já receberam essa técnica.
“Após as intervenções no solo, ainda é preciso recuperá-lo e a hidrossemeadura, ao lado da terraplanagem, auxilia no processo”, explica a Gerente de Sustentabilidade do Contorno Viário, Daniela Bussmann.
Outra responsabilidade da Arteris é em relação aos passivos ambientais, que se caracterizam por serem áreas degradadas que não foram provocadas por atividades de implantação do contorno, mas que estão dentro dos limites da faixa de domínio. Das 56 áreas de passivos ambientais situadas na faixa de domínio, 25 encontram-se recuperadas, 25 estão em fase de recuperação e outras seis serão recuperadas até o término das obras.
Recursos aplicados na manutenção de parques
Programa de Coleta e Destino de Resíduos, essas ações fazem parte dos programas ambientais desenvolvidos em atendimento à Licença de Instalação do empreendimento – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoDaniela ressalta ainda que mesmo antes do final da obra, o Contorno já cumpriu a condicionante ambiental prevista pelo SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) e finalizou a transferência de R$ 9 milhões, que já são destinados à preservação e manutenção de parques ambientais. “Esta é mais uma mostra do engajamento do Contorno Viário para mitigar os impactos causados pela obra. Desde os trabalhos no planejamento e execução e em medidas como esta de compensação, o empreendimento segue todos os padrões ambientais estabelecidos, uma das prioridades do projeto”, destaca a gerente de Sustentabilidade. Os beneficiados com o aporte financeiro foram os Parques Estaduais da Serra do Tabuleiro e do Rio Vermelho, os Parques Nacionais da Serra do Itajaí e São Joaquim, os Parques Municipais do Morro da Cruz, em Florianópolis, e Serra de São Miguel, em Biguaçu, além da Floresta Nacional de Ibirama.
Compensações no Parque Estadual da Serra do tabuleiro
A Baixada do Maciambu, uma das áreas de maior especulação imobiliária e suscetíveis à ocupação humana, onde são registradas queimadas recorrentes, localizada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, em Palhoça, foi outra área que recebeu compensações referentes à obra do Contorno.
No local, foram investidos R$ 4,6 milhões e reflorestados 350 hectares com mudas nativas – o equivalente a 500 campos de futebol.
No parque, considerado a maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina, também foi construído um espaço para garantir a qualidade das espécies até o tamanho ideal exigido no plantio. Ao todo, foram plantadas mais de 25 mil mudas de diferentes espécies. Ao mesmo tempo, foi realizado o controle do crescimento do pinus, que não é nativo e invadiu a área.
Segundo Daniela Bussmann, a eliminação dessa e de outras espécies, não originárias da região, é necessária porque o crescimento impede o desenvolvimento das plantas silvestres e interfere no ciclo de vida de aves e roedores nativos da Mata Atlântica. Já foram retirados pelo menos 30 mil pinus da área.
Foco na redução dos impactos
Programa de Qualidade do Ar nos Canteiros de Obras – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoAinda de acordo com a Arteris, o projeto do Contorno é altamente tecnológico e focado em reduzir os impactos da obra para a região, tanto em relação ao consumo do material, quanto à geração de resíduos e consumo de água, ou seja, na realização de todas as ações necessárias da forma mais sustentável possível.
“Os programas ambientais são pensados e elaborados para mitigar, reduzir o desconforto causado pela obra durante a sua execução. É uma obra extremamente importante para o desenvolvimento da região e que é executada com toda a tecnologia e mecanismos eficientes de controle ambiental para que cause o menor impacto possível. A questão ambiental é uma prioridade nas obras do Contorno e foi pensada desde o início”, ressalta Daniela.
Para a obra, já foram construídas 23 passagens de fauna e o componente indígena já completou 99% das atividades. “Estamos chegando no final deste, que é um componente sensível em qualquer obra”, diz a gerente de Sustentabilidade do Contorno.
Uma das ações realizadas por meio destes programas foi a criação do kit indígena. A concessionária comprou artesanato dos índios da região e com esses produtos e materiais informativos, montou um kit que foi distribuído nas escolas da rede pública de ensino da região. “Isso foi muito interessante, pois é um material confeccionado com os indígenas locais e que o professor não teria acesso se não fosse por essa iniciativa. E que explica sobre o índio da nossa região”, acrescenta Daniela.
Resgate de 12 sítios arqueológicos
Outro acompanhamento feito pela concessionária, por meio do Programa de Monitoramento Arqueológico e Educação Patrimonial, é o das frentes de obra e resgate de sítios arqueológicos encontrados nos 50 km do Contorno Viário de Florianópolis. Conforme a Arteris, durante a execução do Contorno, foram resgatados 12 sítios arqueológicos, divididos em três classificações.
Dos sítios arqueológicos encontrados, os denominados Rio Inferninho l, Morro do Cipó I, Cova Funda II e Baixo Aririú são classificados como históricos. Já os sítios Santa Terezinha I, Rússia I, Rússia II, Rússia III, Rússia IV, Aririú I e Pedra Branca I são classificados como lítico pré-colonial. E apenas o sítio arqueológico denominado como Cova Funda é da tipologia multicomponencial.
Além do monitoramento arqueológico em atividades de acompanhamento da obra, o Programa de Monitoramento Arqueológico e Educação Patrimonial também atua com atividades relacionadas à educação patrimonial nas áreas de influência direta do empreendimento, com escolas da região. Entre as ações, já foram realizadas 25 oficinas “Conversando sobre o Meu Patrimônio”, que envolveu 1.269 estudantes de Palhoça, além de 199 palestras sobre Arqueologia em Atividade de Integração com 10.138 trabalhadores da Arteris.
O programa é acompanhado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e faz parte do processo de licenciamento ambiental do Contorno Viário.
Ação já resgatou mais de 244 mil espécimes
Ao todo, o Contorno Viário de Florianópolis executa simultaneamente 13 Programas Ambientais. O Programa de Resgate de Flora, cujo objetivo é minimizar o impacto das obras na flora da região para manter a biodiversidade do ecossistema local, já resgatou mais de 244 mil espécimes. A primeira campanha de resgate foi realizada em junho de 2014 e, desde então, pelo menos outras 97 foram realizadas.
Esse trabalhou resultou em mais de 17 mil espécimes de epífitas (aráceas, bromélias, cactos, orquídeas e samambaias) e cerca de 227 mil germoplasmas (frutos, plântulas, ramos e sementes) resgatadas.
O palmito-juçara, espécie nativa da mata atlântica e em partes do cerrado, foi uma das espécies resgatadas. No total, cerca de dez mil mudas foram retiradas do local da obra e replantadas no entorno. “O palmito-juçara é uma árvore rara e de crescimento lento, ou seja, sem capacidade de rebrotar. Esse trabalho foi fundamental para garantir o crescimento dessas árvores”, comenta Daniela.
Afugentamento e salvamento de Fauna
Outra ação que compõe o PBA (Plano Básico Ambiental) do Contorno Viário de Florianópolis é o Afugentamento e Salvamento de Fauna. O programa é voltado ao bem-estar da fauna, com o objetivo de efetuar a captura, transporte e realocação dos animais e assegurar sua sobrevivência durante as atividades, além de disponibilizar atendimento médico-veterinário quando necessário.
O trabalho é realizado por biólogos e técnicos ambientais e é desenvolvido sempre que seja necessário fazer a retirada de vegetação em algum local específico para a construção de um trecho da nova rodovia Realizado desde 2014, o programa já efetuou o resgate de mais de 1.970 animais. Desses, 1.411 destinados à soltura na natureza em segurança.
Monitoramento
Programa de Análise dos Recursos Hídricos – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoA cada três meses é realizada também a campanha de Monitoramento de Fauna e Bioindicadores no entorno das obras do Contorno. O acompanhamento tem por objetivo maximizar o conhecimento sobre as alterações nas populações e comunidades da fauna local e monitorar as espécies animais nas áreas de influência do projeto, incluindo o uso de bioindicadores.
Para amostragem das espécies da fauna terrestre, que são os anfíbios, répteis, aves e mamíferos, foram instaladas seis Estações de Amostragem, que compreendem ambientes na Área de Estudo Direto do empreendimento. Para a amostragem de peixes, foram adotados métodos com captura de acordo com o porte dos córregos e rios da Região Hidrográfica do Rio Tijucas, Biguaçu e Cubatão – Sul, onde se destacam os rios Biguaçu, Maruim, Passa Vinte, Inferninho e Aririú. São monitorados 12 pontos de amostragens definidos durante o diagnóstico para compor o Estudo de Impacto Ambiental da obra.
“Monitorar os possíveis impactos ambientais é a melhor maneira para conhecê-los e diminuí-los. Uma obra do porte do Contorno pode sim ser realizada buscando reduzir o impacto ambiental das obras para a fauna da região, e trabalhamos para isso”, ressalta Daniela Bussmann.
Educação ambiental nas escolas
Há oito anos, o Contorno Viário de Florianópolis também realiza o PEA (Programa de Educação Ambiental) nos quatro municípios que estão na rota da futura rodovia em construção: São José, Biguaçu, Palhoça e Governador Celso Ramos. Os trabalhos do PEA são realizados prioritariamente com professores, pais e alunos, além de ações junto às comunidades vizinhas, e têm foco em atividades voltadas às boas práticas de preservação ambiental aliadas a técnicas pedagógicas.
Segundo Daniela Bussmann, as ações realizadas nas escolas são uma forma de conscientizar as comunidades, alunos, professores e responsáveis em relação às boas práticas de preservação do meio ambiente.
Desde que começou, em 2015, o programa já soma mais de 7.000 participantes, mais de 300 professores, mais de 700 pais e professores e pelo menos 17 escolas atendidas.