Cor avermelhada da Lagoa do Peri ainda é mistério, mas água é própria para consumo, diz Casan

Cor avermelhada da Lagoa do Peri foi o tema da audiência pública realizada na Alesc nesta quinta-feira (21)

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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A Casan alegou que a cor avermelhada que tomou conta da Lagoa do Peri, em Florianópolis, ainda é um mistério para a companhia, mas segue própria para consumo. A declaração foi feita durante uma audiência pública que debateu o assunto nesta quinta-feira (21), na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina).

Cor avermelhada da Lagoa do Peri ainda é mistério, mas água é própria para consumo, diz CasanLagoa adquiriu uma coloração avermelhada em abril de 2023 – Foto: Anita Martins/ Deputado Marquito/ Divulgação/ ND

A audiência pública foi promovida pelo presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente, o deputado Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL).

A Casan possui uma estação na Lagoa do Peri e utiliza o local como fonte de fornecimento de água para a região. Rafael Luiz Prim, bioquímico da companhia, conta que desde abril as equipes da Casan notaram que o flotador, aparelho que clarifica a água, estava vermelho.

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“Essa camada sempre foi verde. [A cor vermelha] gera uma preocupação muito grande, a gente não sabe o que é aquilo. A gente coleta amostra a cada duas horas, o que se percebeu de modificação foi a cor da água, mas não afetou os padrões de qualidade que sempre tivemos”, afirmou Prim.

No entanto, para a pasta, a cor avermelhada ainda é um mistério.

“Parece algo que está enraizado em toda a Lagoa do Peri, e não uma causa específica. Mas o importante é dizer que, apesar de ela estar avermelhada, ela está própria para consumo”.

Cor avermelhada na Lagoa do Peri pode ter sido causada por mudanças climáticas, afirma professor da UFSC

Segundo Maurício Petruchio, professor e pesquisador no Laboratório Limnos, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o laboratório trabalha com algumas hipóteses que podem explicar a cor avermelhada da Lagoa do Peri.

Durante a audiência, o professor e a Casan afirmou que as cianobactérias — algas presentes em locais poluídos —, que tinham uma concentração grande no local e eram motivo de preocupação dos órgãos, diminuíram neste ano. De acordo com os especialistas, na prática isso melhora a qualidade da água.

No entanto, a causa da coloração avermelhada ainda não é clara para a UFSC. Segundo Petruchio, uma das razões pode ser a mudança de clima. Rajadas de vento mais fortes trazem mais matéria orgânica, que se decompõe na Lagoa do Peri e pode influenciar na coloração.

“A gente acredita que essa mudança de clima que a gente tem observado principalmente nos últimos meses, os ventos fortes causados pelos ciclones, tudo isso traz mais matéria orgânica. Além das temperaturas altas e da baixa precipitação no período”, afirmou.

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