As mudanças climáticas e os efeitos do aquecimento global, provocado pelo crescente aumento da emissão de gases poluentes no planeta, estão em pauta na COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas).
O Estado já vive de perto vários efeitos ingratos provocados pelas mudanças climáticas – Foto: Prefeitura de Águas de Chapecó/Arquivo/NDO governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (sem partido), parte no próximo sábado (6) para participar da segunda semana do evento que é realizado em Glasgow, na Escócia. Na agenda do governador está o reforço do compromisso de Santa Catarina com a redução de gases e a defesa de uma transição energética sustentável para as termelétricas a carvão.
O Estado já vive de perto vários efeitos ingratos provocados pelas mudanças climáticas. E esses efeitos podem ser ainda mais devastadores no futuro.
SeguirAvanço do mar em SC
Série de reportagens especiais publicada pelo ND+ mostrou que em 2050, pelo menos 22 cidades do Estado podem ser afetadas pelo avanço do mar, entre elas, Florianópolis, Joinville, Tubarão, Itajaí e Balneário Camboriú. O prognóstico faz parte de um estudo da ONG Climate Central citado na COP25, realizado em dezembro de 2019, na Espanha.
Formada por cientistas e pesquisadores de vários países, a organização afirma que, até 2100, a maré irá subir entre 0.6 centímetros a 2.1 metros – ‘engolindo’ cidades costeiras. A pesquisa disponibiliza um mapa interativo, em que é possível navegar por todos os países do Globo.
Mais recentemente, a ONG lançou a plataforma “Retratando Nosso Futuro”, que mostra como as escolhas de clima e energia nesta década influenciarão o aumento do nível do mar por centenas de anos.
Com imagens realistas, é possível visualizar o “antes e depois” de 189 localidades pelo mundo.
Eventos extremos
Santa Catarina vem lidando nos últimos anos com uma sequência de fenômenos que provoca medo, insegurança e aquela sensação de “fim do mundo” em muitas pessoas.
Em setembro, o Oeste do Estado registrou três tornados em apenas uma semana. Casos de enchentes, deslizamentos, ciclones e frio extremo também são cada vez mais comuns no Estado. Essas ocorrências alertam para desequilíbrios que causam mudanças climáticas não só em SC, mas em diversas partes do mundo.
Tornado destruiu estruturas em SC – Foto: Prefeitura de Irineópolis/DivulgaçãoO professor da Univali Charles Alexandre de Souza Armada salienta que as consequências já podem ser observadas e devem piorar cada vez mais. Os próprios tornados, vistos recentemente em SC, têm relação direta com as mudanças climáticas.
“Uma das consequências do aquecimento do planeta é a mudança na dinâmica climática. O aumento de temperatura nos oceanos, na superfície, tem impacto no clima do planeta. E aí a consequência é a intensificação de fenômenos”, diz Armada.
Conforme destacou a professora do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), especialista em meteorologia, Marcia Fuentes, em entrevista ao ND+, o aumento de eventos extremos é uma possibilidade real.
“A frequência e intensidade destes extremos serem cada vez maiores é uma possibilidade que vem sendo alertada há muitos anos pelos cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). Alguns estudos mostram que as ondas de calor, por exemplo, têm apresentado frequência de ocorrência e intensidades mais fortes tanto no Hemisfério Norte quanto no Hemisfério Sul.”.