Dragagem no Porto de Laguna envolve cuidados para a preservação dos botos

Bióloga acompanha a obra de perto e garante distância de 100 metros entre os botos e o equipamento, assim como o cumprimento da legislação ambiental

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Redação ND Criciúma

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A dragagem do berço de atracação no Porto de Laguna segue em ritmo acelerado e inspira cuidados ambientais específicos para a região: a preservação dos botos, que interagem com os pescadores artesanais durante o ofício. Essa interação é tão importante que recebeu o certificado de registro de patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina.

Dragagem do Porto de Laguna envolve cuidados para a preservação dos botos – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/NDDragagem do Porto de Laguna envolve cuidados para a preservação dos botos – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/ND

A obra começou em dezembro de 2021 e só foi autorizada após licenciamento ambiental. Além disso, a bióloga Mariana Fávero Silvano monitora de perto a presença dos animais e tem comunicação direta para orientar quem está operando a draga. “A distância entre os botos e o equipamento deve ser de mais de 100 metros. Caso haja proximidade, a operação é paralisada”, explica.

Outros fatores ambientais também são considerados, como o barulho emitido pela draga e a qualidade da água no local. A bióloga monitora, por exemplo, se há formação da pluma de sedimentação. “É uma espécie de cortina de fumaça que pode se formar com a movimentação da areia na água. Isto pode prejudicar a respiração dos peixes, afetando toda a cadeia alimentar do ambiente”, diz Mariana .

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A bióloga Mariana Fávero Silvano monitora as obras no Porto de Laguna – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/NDA bióloga Mariana Fávero Silvano monitora as obras no Porto de Laguna – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/ND

Tráfego de embarcações, resíduos no mar ou vazamento de óleo também são observados, obedecendo aos padrões e regras da legislação ambiental do IMA (Instituto do Meio Ambiente). Os relatórios realizados pela bióloga são encaminhados para o órgão ambiental, que dá o parecer sobre a continuidade ou não da obra.

Outra preocupação ambiental é com o destino da areia que é retirada do fundo do mar. O material é depositado em um terreno chamado de bacia de sedimentação. Depois de seca, a areia é doada para ser utilizada em obras públicas

Sobre a dragagem

O desassoreamento no berço de atracação é uma necessidade antiga da comunidade pesqueira do Sul de Santa Catarina, que agora está sendo realizada com recursos do governo do Estado de R$ 1,2 milhão. Conforme a SCPar, gestora do porto, são cerca de R$ 798 mil para a execução de dragagem e R$ 400 mil de monitoramento ambiental da obra.

O prazo para os trabalhos é de quatro meses. O objetivo é retirar 76 mil metros cúbicos de areia, o equivalente a 7.600 caminhões de areia, com o uso de uma draga para chegar a uma profundidade de cinco metros, ideal para a atracação dos barcos de pesca na região. Para isso, é estimada a retirada de cerca de oito mil caminhões de areia.

Com o fim das obras, o porto atenderá médias e grandes embarcações da atividade pesqueira – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/NDCom o fim das obras, o porto atenderá médias e grandes embarcações da atividade pesqueira – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/ND

A dragagem também vai permitir a operação e a manobra dos barcos com segurança. Assim, o porto atenderá médias e grandes embarcações da atividade pesqueira, fomentando a geração de emprego e incrementando a renda na região Sul.

Para o gerente executivo do porto, Fernando Vechi, a obra devolverá a relevância do local. “Esta é mais uma melhoria do Ggoverno do Estado realizada aqui para devolver o protagonismo do setor pesqueiro que Laguna merece”, afirma.

Fernando destaca ainda que desde 2004 não era feita intervenção deste tipo. A situação prejudicava a chegada dos barcos. Havia casos de embarcações levarem cerca de seis horas para poder ancorar e descarregar os pescados.

“O sedimento que vem do Rio Tubarão foi se acumulando durante os anos, assoreou o local, dificultando a entrada das embarcações que muitas vezes têm que depender das condições da maré para conseguirem atracar no porto”, comenta.

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