“É preciso desacelerar a revisão do Plano Diretor de Florianópolis”, defende professor

Francisco Ferreira, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, falou que há "pressa" na discussão atual sobre mudanças da lei

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O professor Francisco Ferreira, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, entende que “é preciso desacelerar estrategicamente a revisão do Plano Diretor” para incorporação dos dados do censo demográfico de 2022,  que vai investigar dez quesitos relacionados ao espaço urbano.

Ao lembrar que o prazo para atualização da lei termina só em 2024, ele sugere que a minuta “retorne à discussão dos distritos, na forma de oficinas” para ouvir as propostas da sociedade, com a participação das universidades.

Florianópolis – Foto: Leonardo Sousa/Divulgação/NDFlorianópolis – Foto: Leonardo Sousa/Divulgação/ND

“Em nome da pressa está sacrificando-se uma das dimensões mais importantes da realização dos planos: a aprendizagem social e ambiental”, defendeu o professor na audiência distrital do Continental, que aconteceu na sexta-feira (22).

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Ele acredita que conceitos como “novas centralidades, usos mistos, fachadas ativas, mobilidade ativa, densidade controlada, cidades compactas” são bem-vindos, mas devem ser “contextualizados de maneira mais clara e adequada”.

E ponderou sobre a forma de coordenação dos planos diretores. “O arquiteto, no passado, era o protagonista, isolado, tentando responder a complexidade do urbano. Mas a partir da década de 90 o protagonismo se desconcentrou da figura do arquiteto e os planos passaram a incorporar na coordenação o biólogo, o economista, o antropólogo, o psicólogo, os engenheiros, etc. Assim, não tem sentido o arquiteto Michel Mittmann (secretário de Planejamento Urbano e Mobilidade) falar isoladamente nas audiências, sem a presença e o protagonismo dos demais profissionais que devem formular o diagnóstico e as possíveis diretrizes, segundo cada dimensão do desenvolvimento sustentável”.

Além disso, Ferreira comentou que o adensamento proposto pela prefeitura exige que “a cidade sustente melhores indicadores de infraestrutura para, posteriormente, liberar o gabarito, mesmo que de forma limitada”.