Diante dos entraves para escolher o ponto de lançamento de efluentes da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) do Campeche, em Florianópolis, a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) estuda mudança do local.
ETE Campeche está com 70% da parte civil concluída e obra precisa ser retomada – Foto: Divulgação/NDEm vez do bairro Rio Tavares, que apresenta impedimentos ambientais, a área de engenharia da companhia tem um projeto para fazer o despejo na baía Sul, no bairro Saco dos Limões.
Outra mudança é que, em vez de um submarino, a estação terá um emissário terrestre. Atualmente, a obra da ETE Campeche está parada, porém a estatal quer encaminhar o projeto para licitação em agosto e, em outubro, com a licença ambiental em mãos, assinar contrato com nova empreiteira para reiniciar o trabalho.
SeguirO empecilho ambiental que fez a companhia mudar a destinação do efluente também interrompeu a obra do sistema de esgotamento sanitário do Sul da Ilha. Hoje, a execução está com 70% da parte civil concluída.
“O que falta fazer para a estação funcionar é a caixa de carga, implantar os emissários de água bruta e tratada e comprar equipamentos”, explicou o diretor de Operação e Expansão da Casan, Pedro Joel Horstmann.
Após um novo planejamento, a Casan terá dois emissários terrestres para o Sul da Ilha, um de esgoto bruto, outro de esgoto tratado, que transportarão o esgoto em processo terciário – 98% de pureza. A extensão da rede será de dez quilômetros.
“Tivemos uma reunião com técnicos do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) para validar a licença ambiental prévia”, informou Joel.
Também segundo o diretor, o valor estimado da obra é de R$ 60 milhões e será viabilizado com financiamento da Caixa e recursos próprios.
“É uma obra muito importante e só estamos aguardando a licença ambiental para fazer nova licitação e reiniciar a obra no prazo estabelecido pelo prefeito”, declarou o diretor-presidente da Casan, Laudelino Bastos.
Cobrada pelo prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, pelo déficit histórico de esgotamento sanitário na região, a Casan está revisando o projeto de implantação dos emissários bruto e tratado e também o complementar da obra da ETE Campeche.
Caso não perceba avanços na situação para a região, a Prefeitura de Florianópolis pretende romper o contrato com a estatal para estas obras no Sul da Ilha, a região do município mais desatendida na questão de saneamento. A companhia garante que isso não será necessário, pois está trabalhando para cumprir as exigências.
Emissário terrestre em vez de submarino
O diretor Pedro Joel Horstmann também explicou que a ideia de implantar um emissário terrestre e não mais submarino no Sul da Ilha ocorre porque o submarino teria custo adicional bem maior do que o terrestre e um prazo de estudo que não contemplaria o período definido pelo município.
“Optamos pelo Saco dos Limões após estudo complementar, que considerou quatro quesitos: social, ambiental, técnico e econômico. O ponto mais viável é o do Saco de Limões”, destacou.
Ainda conforme Joel, essa mudança terá custo menor. Outra opção seria a região da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, que oferece condições técnicas e financeiras, porém o projeto esbarraria também nos entraves sociais e ambientais.