Os conhecidos ‘pinheiros’, ou ‘pinus’ são considerados árvores de espécie invasora em Florianópolis. Com isso, um estudo realizado na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) apontou que, em áreas de restinga do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, a eliminação dessas árvores pode reduzir os danos sobre plantas nativas e ajudar a recompor os sistemas naturais do local.
Espécie se reproduz com facilidade e rapidez na cidade – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDAlém disso, outro fator afetado diz respeito à fauna. Os animais nativos também são prejudicados com a expansão de espécies de árvores invasoras, bem como a alteração da paisagem cultural e a disponibilidade de recursos, como água e alimento, provocando impactos negativos também sobre o bem-estar humano.
No entanto, ainda de acordo com o artigo ‘Efeito do tempo de invasão e de ações de controle em ecossistemas costeiros invadidos por pinheiros-americanos invasores’, fruto do projeto de mestrado da gestora ambiental Letícia Mesacasa, os resultados mostram que, mesmo com a eliminação destas árvores, os problemas não serão totalmente resolvidos.
SeguirDessa forma, segundo a pesquisa, seria necessário plantar ou semear alguns arbustos para aumentar a diversidade de espécies nativas, como a aroeira-brava (Lithraea brasiliensis) e a caúna (Ilex dumosa).
Pesquisa
O trabalho foi desenvolvido para avaliar qual o resultado de um programa de controle de pinus invasores, conduzido desde 2010, por meio de uma parceria entre o Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental e o Laboratório de Ecologia de Invasões Biológicas, Manejo e Conservação da UFSC.
“Aprendemos desde crianças que devemos plantar árvores. De fato, árvores têm papeis sociais e ambientais muito relevantes, ainda mais no cenário de crise climática que estamos vivendo. Mas esses benefícios podem ser comprometidos dependendo de quais árvores são plantadas e de onde são plantadas”, explica a professora Michele Dechoum, uma das autoras do estudo.
No estudo, os autores mostraram que em áreas invadidas por árvores de pinus, à medida que o tempo passa, plantas nativas que são adaptadas à muita luz vão sendo substituídas por plantas de outros ambientes e que são adaptadas à sombra. Nessas áreas invadidas, as plantas de menor porte praticamente desaparecem e ocorre uma descaracterização completa da flora nativa.
Meio-ambiente em pauta
Desde 2012, há leis para regulamentação da extração de espécies invasoras em Florianópolis. O decreto 18.495/2018 estabelece a remoção de três espécies de árvores (pinus, eucaliptos e casuarinas).
Em janeiro, o IMA (Instituto de Meio Ambiente) definiu a equipe que irá contabilizar o número de invasoras e definir o fim econômico dos pinus que serão eliminados. É a segunda vez que o trabalho é feito no parque, e a tendência é que as madeiras sejam vendidas.
Segundo o IMA, as atividades estão sendo conduzidas por dois profissionais, e devem durar até o fim deste mês. As atividades acontecem na região sul, nas imediações da Barra da Lagoa e da SC-406.
Histórico
O pinus foi trazido a Florianópolis em 1963 para fins silviculturais, e disseminadas localmente na década de 1970. Além disso, plantios posteriores de pinus ocorreram para fins ornamentais e para a contenção de dunas em propriedades privadas existentes no entorno do Parque onde o estudo foi desenvolvido.
“Muito possivelmente essas árvores plantadas tenham sido e ainda sejam as principais fontes de sementes que originaram as árvores que ocupam o interior do Parque, tendo em vista que as sementes leves de pinus podem ser levadas pelo vento a algumas dezenas ou, mais raramente, a centenas de metros de distância”, explica Dechoum.