Duas situações bastante antagônicas, no que se refere à pesca da tainha, foram registradas nesta segunda-feira (26), na Grande Florianópolis.
No extremo sul da Ilha de Santa Catarina, pescadores comemoravam um lanço recorde com mais de 40 mil peixes, capturados na modalidade de arrasto, na praia de Naufragados.
Já em São José, no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), profissionais protestaram sobre o encerramento da pesca da tainha na modalidade de emalhe anilhado.
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A praia de Naufragados assume o 4° lugar do ranking de maiores capturas de tainha da história de Santa Catarina – Foto: Reprodução/@pescadatainha/NDTV/NDLanço recorde de tainha
A comunidade pesqueira da praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, quebrou um recorde para ficar na história de Santa Catarina.
Com um lanço de mais de 40 mil tainhas realizado, na modalidade de arrasto de beira de praia, segundo o IDP (Informações da Pesca e Oceano), a praia de Naufragados assume o 4° lugar do ranking de maiores capturas de tainha da história de Santa Catarina, afirma o Epagri/Ciram.
Além disso, o lanço em Naufragados é o maior da temporada de 2023, na Capital, até o momento, superando o registrado na Lagoinha do Norte, que ocorreu na semana passada e capturou um pouco mais de 30 mil tainhas.
Agora, o tainhômetro dispara para quase 190 mil tainhas, superando a temporada de 2022, que registrou quase 145 mil peixes.
Lanços históricos em SC
Florianópolis carrega o título de maior lanço da história de Santa Catarina na modalidade de arrasto de beira de praia.
Em 1984, no Canto Sul dos Ingleses, os pescadores capturaram 120 mil tainhas. Mas antes disso, em 1949, a praia do Retiro dos Padres, em Bombinhas, era o detentor do título, com 100 mil tainhas. Somente em 2020, 36 anos depois, a praia dos Ingleses realizou um grande lanço novamente, com 70 mil tainhas.
Agora foi a vez da praia de Naufragados conquistar o 4° lugar no ranking, com 40.616 tainhas.
As condições favoráveis para a pesca da tainha continuam
Conforme o Marcelo Martins, meteorologista do Epagri/Ciram, as condições das águas do litoral catarinense são muito propícias para a pesca de tainha nesta terça-feira (27).
Martins explica que está ocorrendo três fatores favoráveis à prática na região: ondulação do mar, que empurra o peixe para costa; água fria do litoral Sul do Rio Grande do Sul, fazendo a tainha “fugir” em direção ao Sudeste; e alimento disponível no litoral catarinense, proporcionando a parada por aqui.
“Todo mundo fala que a tainha gosta do frio, mas na verdade ela foge dele. Ela vai em direção ao Sudeste para desovar e procriar justamente porque as águas são mais quentes. Então, ela foge das águas frias do Rio Grande do Sul em direção a São Paulo, daí ela passa pelo litoral catarinense e é capturada no meio do caminho”, explana Martins.
O comportamento das tainhas, somado com essas as condições atuais, citadas pelo meteorologista, proporcionam grandes lanços como o de segunda-feira (26), em Naufragados.
“A ondulação do mar, que é de Sudeste, empurra o peixe para a costa. E, claro, ela tem que parar para descansar e se alimentar e o que a favorece é o local que tem a clorofila-a, comida de peixe pequeno e elas se alimentam deles. Se ontem e hoje tem a mesma característica de tempo e mar, então é muito propício”, completa Martins.
Protesto devido ao fim antecipado da pesca anilhada
Lideranças do setor pesqueiro catarinense se reuniram na sede do MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), na tarde desta segunda, com o superintendente Federal de Pesca em Santa Catarina, Delcy Batista, a fim de reverter o encerramento antecipado da pesca de tainha na modalidade de emalhe anilhado ainda este ano.
Cerca de cem pescadores também estavam reunidos do lado de fora do prédio – Foto: Reprodução/NDTV/NDSegundo José Henrique Francisco, liderança do setor pesqueiro catarinense, cerca de cem pescadores também estavam reunidos do lado de fora do prédio.
A reivindicação é pelo aumento da cota de 10 toneladas para cada embarcação até o final da safra de 2023, no dia 31 de julho.
“O superintendente e dois representantes do ministério de Brasília, responsáveis pela análise das cotas, não deram esperança nenhuma que haveria a possibilidade dos pescadores de emalhe anilhado voltarem a pescar esse ano”.
Nesta terça-feira (27), haverá outra reunião, às 11h, com os deputados estaduais Ivan Naatz (PL) e Ana Campagnolo (PL), da comissão de pesca. A ideia, conforme José Henrique, é solicitar apoio dos pescadores para que “seja possível uma reunião com o ministro e solicitar essa demanda de 10 toneladas até 31 de julho”.