Flagrada com 27 toneladas de barbatanas, empresa de SC diz que tubarões ‘acabam mordendo anzol’

Apreensão de barbatanas é recorde mundial, segundo o Ibama; empresa fica em Itajaí

Kassia Salles Itajaí

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O Comércio e Indústria de Pescados Kowalsky, empresa de Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina, onde mais de 27 toneladas de barbatanas de tubarão apreendidas na segunda-feira (19), afirma que “não tem como evitar a captura do tubarão”.

Itens são iguarias no mercado internacional – Foto: Ibama/Reprodução/NDItens são iguarias no mercado internacional – Foto: Ibama/Reprodução/ND

O dono da empresa, José Kowalsky, conversou com o ND+ e afirmou que a empresa tem as licenças necessárias e que não opera de forma ilegal. Segundo ele, a empresa está licenciada para pesca de meca, mas que, ao lançar o espinhel (aparelho de pesca com iscas), os tubarões acabam “mordendo o anzol”.

Segundo o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), isso se chama pesca direcionada, ilegal no Brasil. O agente ambiental Leandro Aranha explica: “Se você tem licença para atum e vem um pouco de tubarão de espécie não ameaçada, essa pesca é legal. Agora, uma pesca com licença de atum, por exemplo, e que chega sempre com 80% de tubarões teve claro direcionamento”. Essa é a denúncia que motivou a apreensão do Ibama.

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Barbatanas iriam para o mercado internacional

As 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão seriam exportadas de maneira ilegal para a Ásia. Já o restante do animal seria vendido para o mercado local, com o nome genérico de “cação”, segundo o Aranha.

As barbatanas são de duas espécies de tubarão: tubarão Azul (Prionace glauca) e tubarão Anequim, também conhecido como Mako (Isurus oxyrinchus). A apreensão aconteceu na segunda-feira (19).

Do total, 27,7 toneladas foram apreendidos na Kowalsky. Outra empresa, que tentava exportar 1,1 tonelada, foi flagrada por equipe do Ibama no Aeroporto de Guarulhos.

Em países asiáticos, a barbatana é considerada uma iguaria e símbolo de status social.

Maior apreensão de barbatanas

O Ibama considera essa a maior apreensão já registrada no mundo, especialmente por se tratar de apreensão na origem, onde os tubarões são capturados.

Carga apreendida foi a maior da história – Foto: Ibama/Reprodução/NDCarga apreendida foi a maior da história – Foto: Ibama/Reprodução/ND

A estimativa é que esses números representam a morte de cerca de 10 mil tubarões (4,4 mil Azuis e 5,6 mil Anequim).

A operação Makaira faz parte de ação institucional de combate à pesca ilegal, não reportada e não regulamentada, integrante do Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental.

Os barcos envolvidos utilizavam licenças de pesca de outras espécies, e atuavam com índices acima de 80% da carga permitida. A pesca direcionada para tubarões não é permitida no Brasil.

Pesca direcionada de tubarão é ilegal no Brasil

Além da proibição de pesca direcionada para tubarões, que não é permitida, outras irregularidades foram registradas, como a captura com ausência de licença para àquela modalidade de pesca e a pesca proibida com o uso de equipamentos de pesca em desacordo com a legislação.

As embarcações também deixaram de utilizar medidas obrigatórias para evitar a captura e morte de aves marinhas, o que causou milhares de mortes de aves, sendo algumas de espécies consideradas ameaçadas de extinção.

Esse tipo de captura indiscriminada e irregular tem causado a diminuição drástica das populações de tubarões em todo mundo, com várias espécies se tornando ameaçadas de extinção, incluindo o tubarão Anequim, que acabou de entrar para a lista nacional no último dia 22 de maio.

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