Quem pode olhar para o mar em Itajaí nos últimos dias pode ver uma paisagem de tirar o fôlego: na saída da Boca da Barra, onde o Rio Itajaí-Açu e o Oceano Atlântico se encontram, a divisão das águas formou um fenômeno chamado de pluma estuarina.
Imagens mostram dualidade e encontro do Rio Itajaí-Açu com a água do mar – Foto: Alfabile/Reprodução/NDSegundo o oceanógrafo Mauro Michelena Andrade, este é um processo que se forma quando os rios e os estuários (transição entre rio e mar) chegam no oceano e deságuam. A água do rio geralmente tem a densidade menor do que a água do mar, e por isso “boia” sobre a água do oceano, “formando uma região de água de menor densidade e muitas vezes com coloração diferente”, explica.
Além da diferença de densidade, a cor da pluma também chama atenção. Segundo o professor, o que causa isso é são os sedimentos transportados pelo rio para as regiões costeiras. Ou seja: o rio desce desde a nascente em direção ao mar e, no caminho, carrega areia, sedimentos, que juntos formam a coloração mais amarronzada do rio. Quando chega ao mar, a diferença acaba sendo mais chamativa.
Seguir“Esse fenômeno acontece naturalmente em todos os estuários, onde deságua no oceano, em maior ou menor escala. Essa escala depende principalmente da quantidade de chuva na bacia hidrográfica e também da época do ano”, explica.
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A pluma, apesar de nem sempre ser tão marcante, é comum no Rio Itajaí-Açu. Dados coletados por pesquisadores da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), mostram que a vazão do rio estava cerca de seis ou sete vezes maior que o normal.
Na Praia do Atalaia, a diferença de salinidade (ou seja, concentração de sal na água) também foi grande, segundo os dados coletados. Na pluma, a salinidade estava em cerca de 2, e já na parta de fora da pluma, ela chegou a 28.
“Salinidade tem uma relação direta com a densidade. Quanto maior a salinidade, maior é a densidade. E o oposto também verdadeiro: menor salinidade, menor a densidade. É por isso que a água do rio, quando ela sai em direção ao mar, sai pela superfície e fica bem marcada assim, em contraste com a água do mar, que tem menor turbidez”, explica.
Já a turbidez da água, segundo Andrade, estava 10 vezes maior na pluma. A turbidez também tem relação direta com a quantidade de sedimentos na água. “Quando a chuva caia regiões ao redor do rio, o solo ele escoa para dentro da água. O rio transporta esses sedimentos no percurso, quando chega no oceano, fica bem marcado, formando dessa região de pruma”.