Estudo mapeia plantas tradicionais brasileiras usadas na medicina e alimentação

As Universidades Federais de Santa Catarina e de Minas Gerais realizaram juntas o estudo que busca e compara as propriedades das plantas desde o século XVI até os dias atuais

Redação ND Florianópolis

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Para mapear as tradicionais plantas brasileiras usadas na alimentação, bem como resgatar na história seus valores nutricionais e medicinais, pesquisadoras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) produziram um estudo chamado Bioactive Potential of Brazilian Plants Used as Food with Emphasis on Leaves and Roots.

Relatos antigos de naturalistas sobre plantas populares, colo o mate, foram usados para atualizar seus históricos e benefícios – Foto: UFSC/Divulgação/NDRelatos antigos de naturalistas sobre plantas populares, colo o mate, foram usados para atualizar seus históricos e benefícios – Foto: UFSC/Divulgação/ND

Mapeando plantas, em sua maioria desconhecidas da ciência e da população, o estudo indica que pode haver espécies – dentre as mapeadas – com potencial alimentar importante.  Além disso, elas podem contribuir em fórmulas de bioprodutos inovadores, com poder comercial.

“Argumentamos que os incentivos para um melhor uso das espécies listadas neste estudo devem ser considerados e incluídos em programas agrícolas em todo o país”, detalham as autoras no documento.

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A pesquisa também indica que os brasileiros, mesmo com tantos recursos alimentares nativos, usam uma diversidade baixa de plantas nas refeições.

“Fazemos uso de mais ou menos trinta espécies na nossa alimentação e apenas oito são plantas nativas”, comenta a professora Juliana de Paula-Souza, do Departamento de Botânica da UFSC.

Plantas mapeadas

Coordenado pela professora Maria G. L. Brandão, o trabalho pesquisou através de arquivos antigos, publicados desde os primeiros registros do século XVI até a década de 1950. O foco do trabalho está em plantas nativas com longa tradição de uso no Brasil, coma o mate e a mandioca.

O grupo recuperou dados de nove autores publicados anteriormente, todos sobre plantas comestíveis. Foram registradas 64 raízes e outros tipos subterrâneos, 52 folhas, três flores e dois brotos. A estrutura de alguns já haviam sido pesquisada, mas outros nunca antes foram investigados e seus benefícios ou riscos seguem desconhecidos.

O estudo apresenta abordagens históricas sobre como as espécies foram popularizadas.  “Os relatos dos naturalistas a partir do século XVI são um ponto de partida importantíssimo, pois trazem informações inclusive sobre o uso que os povos tradicionais faziam”, diz a professora.

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