Ex-prefeito de Balneário Camboriú lança movimento contra restinga na praia: ‘não combina’

Edson Piriquito lançou abaixo-assinado pedindo uma audiência pública sobre o plantio de restinga na Praia Central, ação que já começou a ser feita

Kassia Salles Itajaí

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O alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú foi cercado por várias polêmicas e, mesmo com a finalização da obra, continua gerando controversas. A bola da vez é o plantio das mudas de restinga, parte do projeto de recuperação da orla e que já começou.

Banhistas lotaram a Praia Central no feriadão – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/DivulgaçãoBanhistas lotaram a Praia Central no feriadão – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

No dia 30 de maio, o ex-prefeito de Balneário Camboriú, Edson Piriquito (MDB), lançou um abaixo-assinado pedindo uma audiência pública para discutir o plantio da restinga. No site onde o abaixo-assinado está, ele alega que “a medida pode atrair animais peçonhentos, numa praia que fica lotada de crianças, tornar a praia muito mais insegura porque a duna poderá servir para encobrir atos ilícitos e pode ainda se tornar um banheiro para desocupados”.

Em uma publicação no Facebook, Piriquito ainda afirma: “a Praia Central tem uma situação urbana consolidada e não combina com restinga”.

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No entanto, para a secretária de Meio Ambiente de Balneário Camboriú, Maria Heloisa Furtado Lenzi, “nas praias agrestes, na APA (Área de proteção ambiental) e a Praia do Buraco, que está na região Central, não possui relatos de acidentes com animais peçonhentos. Porque haveria esse risco na Praia Central?”.

“Na natureza tudo é possível. Aranhas e lagartas convivem em áreas urbanas e até nas casas. A questão é: se nas outras praias temos restinga e muito mais área vegetada e não ocorre acidentes qual a probabilidade de ocorrer na Praia Central?”.

Plantio das mudas

No final de maio, iniciou o plantio das mudas de restinga, que devem compor a Praia Central. Uma área da praia será destinada ao plantio, que funciona como um “teste” para as plantas. “Depois esse piloto se torna banco de mudas para o restante da praia”, explica a secretária.

Imagem panorâmica da Praia Central de Balneário Camboriú após o alargamento da faixa de areia – Foto: Divulgação/Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú/NDImagem panorâmica da Praia Central de Balneário Camboriú após o alargamento da faixa de areia – Foto: Divulgação/Secretaria de Turismo de Balneário Camboriú/ND

Conforme a secretária explica, neste primeiro momento serão avaliados “indicadores visando verificar se os objetivos estão sendo atingidos, como as mudas reagem ao ambiente além da necessidade, ou não, de replantio dos trechos concluídos”.

Neste período, canteiros serão fechados para a plantação, mas eles não impedem o acesso à praia, já que serão áreas pequenas. Ainda neste primeiro momento, segundo Lenzi, “serão plantadas apenas espécies herbáceas, que chegam a 30 cm de altura no máximo”.

Após o plantio, além disso, será feito um monitoramento do local. A secretária estima que o prazo inicial para conclusão deste “piloto” seja de seis meses.

O investimento total da prefeitura na recuperação da restinga é de R$ 1,5 milhões. O projeto executivo prevê o plantio de mudas nativas de restinga em toda a extensão da praia, assim como a instalação de cercas e de “passarelas” para acesso dos banhistas.

O projeto prevê o plantio de nove espécies de plantas de restinga: capim-das-dunas, capim-arame, capim-da-praia, batateira-da-praia, acariçoba, pinheirinho-da-praia, capotiraguá, margarida-da-praia, e feijão-da-praia.

O capim-das-dunas, o capim-arame e a acariçoba vem sendo usadas, inclusive, na recuperação das dunas da Praia Brava, na vizinha Itajaí. Essas três espécies trabalham na fixação das dunas.

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