Exemplar de bromélia em extinção é furtado do Jardim Botânico, na Grande Florianópolis

A pequena muda de Dyckia distachya foi doada por um colecionador há uma semana

Marcela Ximenes São José

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Exemplar maior da bromélia D. distachya que estava fora do alcance do ladrão – Marcela Ximenes/NDExemplar maior da bromélia D. distachya que estava fora do alcance do ladrão – Marcela Ximenes/ND

O vaso onde iriam brotar mudas de Dyckia distachya e assim ajudar na preservação da espécie foi encontrado vazio na manhã de segunda-feira (29) por funcionários do Jardim Botânico de São José.

Trata-se de uma bromélia endêmica no Oeste de Santa Catarina que não existe mais em ambiente natural e é encontrada apenas em coleções. A muda foi doada pelo colecionador Admir Reis ao Jardim Botânico há uma semana.

A pequena bromélia estava dentro da estufa do Jardim Botânico que é todo telado. O diretor do local acredita que o furto possa ser ação de pessoas que moram nas proximidades, pois não é a primeira vez que esse tipo de ocorrência é registrada.

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Variados tipos de plantas foram arrancadas de canteiros e vasos desde a inauguração do Jardim Botânico em 2015.

Anos antes de o Jardim Botânico ser oficialmente inaugurado, cerca de quatro mil exemplares de bromélias foram doadas por um dos maiores colecionadores do Brasil, o engenheiro agrônomo Max Hablitzel. Atualmente, há cerca de 2,6 mil bromélias dessa coleção, as demais foram roubadas.

Diretor aponta o vaso onde ficava a bromélia furtada pela tela de proteção – Marcela Ximenes/NDDiretor aponta o vaso onde ficava a bromélia furtada pela tela de proteção – Marcela Ximenes/ND

Nem mesmo havia se recuperado do furto da bromélia, o diretor se deparou com mais um episódio de vandalismo. Uma placa de identificação do Jardim Sensorial foi roubada.

“Vamos pedir à Polícia as imagens da câmera de segurança para podermos tomar providências”, afirmou o botânico Sérgio Stähelin, diretor o Jardim Botânico de São José.

Stähelim acredita que quem furtou a bromélia D. distachya desconheça a importância da planta ou então foi um ato de maldade.

Mata Atlântica preservada

Localizado em uma extensa área de Mata Atlântica preservada, o Jardim Botânico de São José recebe cerca de 1,2 mil crianças e adolescentes, que visitam o local em grupos escolares.

Na Área de Preservação Permanente há coleções doadas e do próprio habitat. Em um levantamento, foram coletadas 112 amostras e identificadas 67 espécies de gêneros e famílias diferentes e há ainda mais de 200 espécies nativas.

Em uma campanha realizada em 2017 foram plantadas 365 árvores nativas da Mata Atlântica, uma por dia, doadas pela comunidade, dessas, 132 são espécies novas. Números que valorizam o espaço dedicado à preservação.

Há também uma coleção exótica de 63 cactos e suculentas nativos dos continentes Europeu e Africano.

Placa doada por grupo de escoteiro pede compreensão – Marcela Ximenes/NDPlaca doada por grupo de escoteiro pede compreensão – Marcela Ximenes/ND

A visitação ao Jardim Botânico de São José está aberta de segunda a sábado, das 9h às 17h. O endereço é: rua Cauassu, bairro Potecas.

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