A maré alta registrada em Florianópolis no domingo (12) afetou o trânsito da cidade e segunda-feira (13) gerou caos em algumas vias. Mas num lugar, segundo o geógrafo José Luiz Sardá, a maré ajudou: trata-se do rio do Brás, em Canasvieiras, Norte da Ilha.
Cenário até é bonito, mas a vegetação de macrófitas indica poluição no rio do Brás – Foto: Leo Munhoz/NDCom a entrada do mar no rio, o processo de poluição foi timidamente mitigado. Só não foi melhor, porque a maré não foi tão alta e o impacto foi pequeno diante de tamanha poluição.
Presidente do Instituto SOS Rio do Brás, Sardá luta há anos pela recuperação do curso d’água, que está tomado pela poluição. Segundo ele, é preciso reconectar o rio ao mar para combater o processo de poluição.
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Sardá luta, há anos, por dias melhores no rio onde, no passado, até tomava banho – Foto: Leo Munhoz/NDPara tanto, um dos pleitos do recém-criado instituto, cuja mobilização começou em 2015, é a abertura da foz do rio do Brás, que consiste na construção de dois molhes, ou seja, estruturas de pedras que permitirão a entrada da água do mar no rio e vice-versa.
Para isso, entretanto, Sardá ressalta que é necessário fazer a dragagem do rio. Em paralelo, também é preciso frear o lançamento de esgoto no rio e melhorar o saneamento básico da região.
Conexão natural entre o rio e o mar não existe mais – Foto: Leo Munhoz/ND“Em 2018, a prefeitura construiu uma cancha de esportes na praia e começou a trazer areia dos Ingleses, mas aí deu uma chuva e levou um pouco dessa areia para fora. Eles, então, trouxeram mais areia e essa barreira [entre o rio e o mar] foi se fixando e aumentando. Como não abriu mais, começou essa concentração de plantas macrófitas, indicando que o rio está morrendo”, lamenta Sardá.
O geógrafo transformou o antigo grupo que briga pela recuperação do rio em instituto para dar mais vigor ao projeto. Segundo ele, a prefeitura se mostra aberta, mas há muito tempo falta vontade política para resolver a questão. Além disso, a iniciativa privada, em especial o Sapiens Parque, está junto.
Recuperação ainda é avaliada
César Strack é corretor de aluguel de temporada e vive em Canasvieiras há três anos. Ele mora na rua Murilo Antônio Bortoluzzi, paralela ao rio do Brás:
“Na época que estávamos procurando casa na Ilha, a gente se apaixonou pelo lugar aqui, porque era limpo e bonito. Depois, morando, presenciei todos os problemas e continuo presenciando. Antes da pandemia, pelo menos a prefeitura vinha limpar periodicamente. Não chegavam a deixar fechar, como agora”, conta Strack.
Strack é mais um morador de Canasvieiras que torce pela recuperação do rio do Brás – Foto: Leo Munhoz/NDAs macrófitas se acumulam na água e, segundo o morador, desde janeiro não é feita a limpeza. De acordo com a superintendente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Beatriz Kowalski, a limpeza do rio ocorre a cada três meses, ou mediante necessidade. Ela afirmou também que a ideia de revitalização do rio do Brás ainda está sendo avaliada.