Flor rara desaparecida há 70 anos é reencontrada em cachoeira de Rio do Sul

A Nicotiana azambujae teve suas sementes resgatadas e especialistas afirmam que será necessário ampliar a pesquisa para entender melhor a biologia da planta

Bruna Evelin Blumenau

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Uma flor da espécie Nicotiana azambuje foi reencontrada após 70 anos desaparecida em outubro do ano passado na Cachoeira da Magia, em Rio do Sul. A espécie foi encontrada por um grupo de biólogos que participavam do projeto Biodiversidade do Alto Vale do Itajaí.

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    As plantas já estão com muitas flores e dando novas sementes. - Arquivo Pessoal/ Robson Carlos Avi/ND
    As plantas já estão com muitas flores e dando novas sementes. - Arquivo Pessoal/ Robson Carlos Avi/ND
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    A espécie foi encontrada em outubro do ano passado em uma cachoeira em Rio do Sul por biólogos. - Arquivo Pessoal/ Luis Funez/ Nd
    A espécie foi encontrada em outubro do ano passado em uma cachoeira em Rio do Sul por biólogos. - Arquivo Pessoal/ Luis Funez/ Nd

O grupo que tinha saído para procurar fungos na mata, jamais imaginava que encontraria a flor que foi vista pela última vez em 1948, na cidade de Brusque. De acordo com os especialistas, a planta de 30 centímetros pode possuir substâncias que sejam de importância médica ou industrial.

Cerca de 500 sementes resgatadas

Após sua redescoberta, cinco cápsulas de diferentes plantas com aproximadamente 500 sementes foram colhidas para serem plantadas no Horto Florestal da Unidavi (Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí). Depois de um mês da localização, um dos especialistas retornou ao local e acabou não encontrando mais a espécie.

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O biólogo mestre em botânica pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e consultor em curadoria do Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí, Luis Adriano Funez explica como foi trabalho em campo e de como está sendo a produção das sementes resgatadas.

“Ao ver aquelas plantinhas em uma área de grande visitação, pensei imediatamente em colher sementes para tentar cultivar as plantas em um viveiro. Felizmente as mudinhas cresceram muito bem e já estão até produzindo novas sementes, o que deve garantir um futuro a essa espécie”, descreve Funez.

Já o biólogo, professor e coordenador do projeto,  Robson Carlos Avi, complementa que as sementes resgatadas estão sendo muito bem cuidadas e bem monitoradas.

“Instalamos uma câmera na casa de vegetação para acompanhar, monitorar a irrigação e para minimizar qualquer problema que pudesse comprometer a espécie em cultivo”, comenta.

Para a reintrodução da espécie na natureza, Luis afirma que será necessário ampliar a pesquisa para entender melhor a biologia da planta.

“Também podemos pensar em curto prazo a reintrodução da espécie na natureza, uma vez que elas se mostraram muito prolíferas, o que é muito contraditório para uma espécie que ficou desaparecida por 73 anos”, explica.

Biodiversidade do Alto Vale do Itajaí

O projeto tem como objetivo proporcionar a difusão do conhecimento sobre a biodiversidade do Alto Vale do Itajaí, tornando-a acessível para a comunidade em geral.

Além de reunir e realizar anualmente encontro de pesquisadores e entidades ambientais que desenvolvem pesquisas e divulgam informações referentes a biodiversidade da região.

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