FOTOS: peixe gigante em risco de extinção é monitorado por projeto que nasceu em SC

A espécie é classificada no Brasil como criticamente em perigo; por meio do projeto, são monitorados no Sul brasileiro 33 exemplares do peixe

Redação ND Florianópolis

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Um projeto, que nasceu em Santa Catarina, amplia o monitoramento do peixe mero no Sul brasileiro. Em risco de extinção, a espécie é classificada no país como criticamente em perigo, conforme destaca o Projeto Meros do Brasil. Ao todo, são monitorados 33 exemplares no Sul, sendo que nove foram identificados neste verão – quatro foram localizados no litoral catarinense e cinco no Paraná.

O peixe mero, considerado um gigante dos mares, pode chegar a medir 2 metros e pesar cerca de 250 quilos – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/NDO peixe mero, considerado um gigante dos mares, pode chegar a medir 2 metros e pesar cerca de 250 quilos – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/ND

“Ter 33 meros monitorados e amostrados de forma não letal é emblemático, afinal a espécie é ameaçada, de grande porte e com características muito particulares em relação ao ciclo de vida”, explica  Leonardo Bueno, biólogo e pesquisador do Meros Brasil.

O biólogo destaca que não é possível saber quantos meros vivem no litoral brasileiro, contudo é feito uma estimativa populacional ao utilizar o censo nas agregações reprodutivas.

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“Nesta temporada, registramos em um mergulho 36 meros no Norte de Santa Catarina, um número muito próximo dos exemplares já identificados com os tags. Em 2011 eram 50 meros no local, um dos pontos mais importantes de estudos da espécie no Brasil”, acrescenta.

Identificação com tags

Segundo o Projeto, os peixes são identificados por meio do implante de tags sônicos, que emitem sinais sonoros detectados por receptores instalados em pontos determinados. Atualmente,  há nove receptores instalados entre o litoral norte catarinense, pontos do Paraná,  até a divisa com o litoral sul de São Paulo.

Projeto monitora 33 exemplares no Sul brasileiro – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/NDProjeto monitora 33 exemplares no Sul brasileiro – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/ND

O biólogo explica que a implantação é feita de forma segura e cuidadosa.  “O mero é mantido em boas condições com o auxílio de uma bomba que circula água salgada por suas brânquias. Além disso, um anestésico natural os mantém levemente sedados, impedindo que sintam dor”, destaca.

O Projeto Mero Brasil destaca que a identificação, viabiliza pesquisa com telemetria acústica – que é  importante para entender o comportamento da espécie, bem como para embasar políticas públicas de conservação e fiscalização ambiental.

Conforme o oceanógrafo, Áthila Bertoncini, coordenador do Meros Brasil em Santa Catarina, os dados da pesquisa indicam que a espécie tem fidelidade aos locais de reprodução.

“Alguns permanecem ali durante toda a temporada de agregação reprodutiva e outros já voltaram ao mesmo local por três anos consecutivos. Além disso, constatamos que o mero chega a nadar 80 quilômetros em dois dias para chegar às agregações, o que é surpreendente, porque até então pensava-se que meros eram mais sedentários, lentos ou que não realizavam grandes migrações”, afirma.

Para ele, preservar as áreas de reprodução é um fator importante na conservação da espécie.

Peixe Mero: gigante dos mares

Também conhecido como senhor das pedras ou gigante dos mares, o Mero é um peixe marinho da família das garoupas. A espécie vive nas águas tropicais e subtropicais do oceano Atlântico, do Senegal a Angola, e dos Estados Unidos a Santa Catarina, no Brasil.

Segundo o Projeto, o peixe pode medir mais de 2 metros de comprimento e pesar cerca de 250 quilos. Além disso, ele vivem em média 40 anos. O mero leva 6 a 8 anos para atingir a idade adulta, quando entram na fase reprodutiva. No período de dezembro a março, eles se reúnem em cardumes para reproduzir.

Espécie é considera em risco de extinção – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/NDEspécie é considera em risco de extinção – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Mero Brasil/Divulgação/ND

Em risco de extinção no Brasil, a captura e comercialização da espécie são considerados crimes ambientais. Para Áthila Bertoncini, as principais ameaças à espécie são a pesca ilegal, a supressão de manguezais – habitats essenciais para que o mero chegue a fase adulta – e a degradação do meio ambiente.

O pesquisador Leonardo Bueno destaca que há poucos indivíduos pequenos nas agregações. “Tem novos indivíduos para reproduzir e está aumentando um pouco a população. Mas é muito pouco ainda. E como a gente sabe, a pesca não para apesar da proibição. Meros continuam sendo mortos ilegalmente”, afirma .

Projeto Meros do Brasil

O Projeto Meros do Brasil surgiu em 2002, quando se começou a observar o desaparecimento dos meros em pontos onde antes eram avistados.

O projeto é uma iniciativa socioambiental de conservação que tem como principal objetivo a proteção dos meros e dos ambientes costeiros e marinhos por meio da realização de ações de pesquisa, educação e comunicação.

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