Futuro do meio ambiente depende do esforço pela redução de gases

18/08/2021 às 15h00

Aquecimento provoca ondas de calor, eventos climáticos extremos, derretimento das geleiras com o consequente aumento do nível dos mares

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

A mobilização global pela sustentabilidade tem um objetivo: a redução de gases poluentes na atmosfera. Esses gases se concentram na atmosfera e produzem o efeito estufa de forma que o calor emitido pelo sol fica preso na superfície terrestre.

Esse aquecimento promove ondas de calor, eventos climáticos extremos, derretimento das geleiras com o consequente aumento do nível dos mares, entre outros fenômenos. O debate sobre a adoção de medidas sustentáveis foca em reduzir a produção desses gases poluentes.

Desmatamentos e queimadas no Brasil, como na Amazônia, são desafios para o país – Foto: Divulgação/NDDesmatamentos e queimadas no Brasil, como na Amazônia, são desafios para o país – Foto: Divulgação/ND

No Brasil, o Observatório do Clima monitora a emissão desses gases. Conforme o último relatório do ​Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), de 2019, os maiores produtores de gases no país estão divididos em 5 categorias: o desmatamento e as queimadas que consta no relatório como Mudança do Uso de Terras e Florestas; a agropecuária; a geração de energia, os processos industriais e os resíduos sólidos.

O desmatamento e as queimadas puxam a fila dos setores poluentes no Brasil representando 44,4% das emissões.

A degradação do solo para a agropecuária, por exemplo, assim como o corte ilegal das árvores são fatores fundamentais para o problema.

A agropecuária ocupa o segundo lugar com 27,5% da emissão de gases que vem da fermentação entérica – um processo digestivo natural que ocorre em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – e da criação de gado.

O estrume deixado no pasto libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é muito maior do que a do dióxido de carbono.

O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes importantes, cada um contribuindo com mais de 10% das emissões.

Em terceiro lugar (19,2%) está o processo de produção de energia, especialmente através da emissão de gases pela queima de combustíveis fósseis. Matérias-primas como o carvão e o petróleo, por exemplo, são queimados para aquecer a água, provocando o vapor que movimenta as turbinas e gera energia. Neste processo, gases tóxicos são emitidos.

Os processos industriais ocupam o quarto lugar (4,5%) com a produção de diversos gases poluentes como o uso massivo de agrotóxicos no cultivo de alimentos e a fabricação de produtos químicos de base.

A ocorrência de vazamentos e exposições de materiais tóxicos por acidente também podem causar desequilíbrios à natureza.

ONU: clima em “alerta vermelho” para os próximos anos

Um relatório publicado pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apontou que a temperatura global subirá 2,7 graus em 2100, se mantiver o atual ritmo de emissões de gases de efeito estufa.

No novo relatório, o painel considera vários cenários, dependendo do nível de emissões que se alcance.

Manter a atual situação, em que a temperatura global é, em média, 1,1 grau mais alta que no período pré-industrial (1850-1900), não seria suficiente: os cientistas preveem que, dessa forma, se alcançaria um aumento de 1,5 grau em 2040, de 2 graus em 2060 e de 2,7 em 2100.

Esse aumento teria como consequência acontecimentos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor, e está longe do objetivo de reduzir para menos de 2 graus, fixado no Acordo de Paris, tratado no âmbito das nações, que fixa a redução de emissão de gases de efeito estufa a partir de 2020.

O estudo foi elaborado por 234 pesquisadores de 66 países. Os peritos reconhecem que a redução de emissões não terá efeitos visíveis na temperatura global até que se passem duas décadas.

Os principais emissores de gases:

  • Desmatamento e queimadas: 44,4%
  • Agropecuária: 27,5%
  • Processos para geração de energia: 19,2%
  • Processos industriais: 4,5%
  • Resíduos: 4,4

Tópicos relacionados