Ilha mais perigosa do mundo: lugar onde nenhum ser humano pode pisar fica no Brasil

Sem turistas, o local se tornou um importante laboratório natural para o estudo da evolução e adaptação de serpentes

Foto de Gabrielle Tavares

Gabrielle Tavares Florianópolis

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Ilha mais perigosa do mundo vista de cimaIlha mais perigosa do mundo fica em São Paulo – Foto: Governo Federal/Divulgação/ND

A Ilha Queimada Grande, localizada a 35 km da costa de Itanhaém (SP), é um dos lugares mais inóspitos do Brasil e até do mundo. Com cerca de 430 mil m², sua vegetação densa e terrenos rochosos tornam o acesso difícil, mas o pior são seus habitantes: aproximadamente 20  mil serpentes com veneno tão potente que pode matar uma pessoa em apenas seis horas.

Quase todas as serpentes são da espécie Bothrops insularis, conhecida como jararaca-ilhoa. O veneno dessa serpente é até 20 vezes mais potente que o da jararaca encontrada no continente, tornando a ilha um verdadeiro refúgio de predadores naturais.

Segundo a prefeitura de Itanhaém, atracar na ilha é proibido, tanto pelo risco oferecido pelas serpentes quanto pela geografia hostil. A costa da ilha não possui praias e o desembarque só pode ser feito em plataformas rochosas cobertas por limo.

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Ilha mais perigosa do mundoIlha mais perigosa do mundo tem até 25 mil serpentes perigosas – Foto: Reprodução/ND

A ilha tem duas elevações, sendo uma delas um pequeno farol, automatizado desde 1918. Antes disso, faroleiros e suas famílias viviam no local, mas os relatos de acidentes fatais com cobras fizeram com que a Marinha automatizasse o sistema de iluminação.

História da ilha mais perigosa

A jararaca-ilhoa se desenvolveu nesse ambiente isolado há cerca de 10 mil anos, após a glaciação que separou a ilha do continente. Sem acesso a roedores, que são suas presas naturais, as cobras da ilha se adaptaram para caçar aves, desenvolvendo um veneno extremamente potente, capaz de matar rapidamente antes que a presa caia no mar.

Além disso, diferentemente das jararacas continentais, elas subiram nas árvores para capturar suas presas e adquiriram uma coloração mais discreta, em um tom terroso, para melhor camuflagem.

A fama perigosa da ilha mais perigosa do mundo é muito antiga entre os pescadores locais, sendo os responsáveis por nomear o lugar. Para evitar ataques de serpentes, eles costumavam atear fogo na mata costeira, tentando expulsá-las antes de desembarcar.

Essa prática deu origem ao nome Queimada Grande, mas não foi suficiente para reduzir a população das cobras, que seguem dominando o território sem concorrência.

Ilha mais perigosa do mundoIlha mais perigosa do mundo tem farol automatizado – Foto: Reprodução/ND

Além da abundância de serpentes, o entorno da ilha também abriga uma rica vida marinha, com barracudas, arraias, tartarugas e peixes-voadores.

As águas cristalinas da região são um atrativo para mergulhadores experientes, especialmente por conta dos naufrágios históricos, como o cargueiro Tocantins, que mede 110 metros e está submerso em posição quase vertical, e o mercante Rio Negro, que já está em destroços.

A ilha despertou o interesse da ciência desde 1914, quando pesquisadores do Instituto Butantan começaram a estudar as cobras do local. Em 1920, Afrânio do Amaral fez a primeira análise detalhada da jararaca-ilhoa, e desde 1984, as expedições se intensificaram.

O local continua sendo um importante laboratório natural para o estudo da evolução e adaptação de espécies.

Com um ecossistema único e um dos venenos mais potentes do mundo, a Ilha Queimada Grande segue como um território quase intocado, onde a natureza impõe suas próprias regras e poucos se arriscam a desafiar seus habitantes.

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