“O servidor da Comcap é refém das ações do sindicato, inclusive com denúncias de assédio aos que queriam trabalhar e o sindicato não deixou”, disse o prefeito de Florianópolis, Topazio Neto (PSD), referindo-se a situações relatadas por servidores da limpeza urbana na greve deste ano.
Trabalhadores da Comcap durante protesto em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDComo solução, o prefeito quer criar uma comissão de servidores da Comcap para construir o futuro da autarquia com os que, na opinião dele, realmente estão interessados nela. “Falar direto com o servidor, entender as dores, o que posso fazer para melhorar a produtividade, para viabilizar a empresa. Se o custo for alto, mas a produtividade boa, a Comcap volta a se viabilizar”, diz.
Ele disse que não consegue discutir a situação da Comcap com o sindicato, embora tenha tentado há cerca de um ano. “Fizemos reuniões, cheguei a falar em concurso público para substituir aqueles perto de se aposentar, mas na semana seguinte atropelaram tudo. O discurso deles é que vou acabar com a Comcap, cortar benefício. Mentira! Sabem que não consigo fazer isso, porque a Justiça vai mandar incorporar de volta e pagar os salários atrasados”, afirma Topazio.
SeguirAtaque criminoso à equipe de terceirizada e a caminhões da própria Comcap é preocupante
Secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Sardá se diz perplexo pela quantidade de greves promovidas pelo sindicato. “A população de Florianópolis não aguenta mais essa situação recorrente. Algumas regiões já tinham coleta terceirizada. Na última greve, tivemos uma ampliação das equipes terceirizadas, que supriram um passivo gigantesco deixado por mais uma greve ilegal”, dispara.
A greve deste março de 2024 teve o agravante de ser marcada por um crime a mão armada. Na noite do dia 12, primeiro dia da paralisação, uma dupla ateou fogo num caminhão da terceirizada. Dirigentes do sindicato são suspeitos de alugar o carro usado pelos criminosos para perseguir o caminhão. De acordo com o delegado Verdi Furlaneto, a Polícia Civil identificou quatro suspeitos, todos ligados ao sindicato. A investigação prossegue.
Além disso, mais de 30 caminhões da coleta da Comcap amanheceram com pneus furados no pátio da autarquia no Itacorubi no dia 13 de março. “No caso dos caminhões com pneus furados no pátio, nossa procuradoria vai atuar para punir os responsáveis. No caso do caminhão incendiado, como não era nosso, quem vai atuar é a terceirizada, para ter o ressarcimento do prejuízo e, criminalmente, de quem agiu”, disse o prefeito Topazio.
A FG Soluções Ambientais, que relatou prejuízo de R$ 750 mil no crime da noite de 12 de março, informou em nota que aguarda investigação da polícia para tomar as medidas jurídicas cabíveis. Disse ainda que os profissionais rendidos pelos bandidos estão bem e retornaram ao trabalho. “Foram assistidos pelos bombeiros e segurança do trabalho. A empresa disponibilizou toda assistência necessária”, salienta.
A prefeitura também vai buscar o ressarcimento dos danos aos caminhões da Comcap. “Indenização e, se identificar o servidor, vamos abrir processo administrativo e é passível de demissão por justa causa. Os caminhões foram arrumados e estão rodando”, frisa a prefeitura. Nos dias em que precisou cobrir a greve deste ano, a prefeitura gastou cerca de R$ 50 mil nos dois primeiros dias e cerca de R$ 70 mil nos demais.
Além do impacto financeiro, o biólogo Emerilson Gil Emerin comenta que um dos principais prejuízos do acúmulo de lixo pela cidade é o fator patológico, ou seja, os riscos à saúde humana. No Altos da Caieira, por exemplo, há mais de um local em que os conteineres usados para armazenar o lixo ficam ao lado dos pontos de ônibus, com a população convivendo com o chorume e o mau cheiro.
“Um resíduo que deveria estar corretamente acondicionado fica em contato com ar, solo e água. Todo esse material acaba sendo vetor de transmissão de doenças. Essa questão sempre preocupa quando há greve num serviço essencial”, lamenta Emerin.
O que protegeu, em partes, o meio ambiente, nas últimas semanas, foi o clima seco. “Com água da chuva ou vento o material se desloca e, quase sempre, encontra as drenagens e o mar. Um perigo, pois resíduos em estado de decomposição são um risco para a saúde e o ambiente”, declara Emerin.