O Instituto Hórus, órgão que documenta ocorrências espécies invasoras no Brasil, já registrou 22 “aparições” do peixe-leão no país desde 2020. A proliferação do peixe, natural do Indo-Pacífico, se tornou comum desde 2020 no Brasil e motivou a criação de um plano de erradicação pela Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura.
Nenhuma ocorrência foi identificada no Litoral de Santa Catarina até esta quinta-feira (9) – o registro mais próximo ocorreu em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Apesar disso, a espécie representa ameaça ao litoral do Estado.
Peixe-leão está invadindo os oceanos, oferecendo risco ao ecossistema – Foto: Angel Valentin/Divulgação/ND“Sempre há risco por conta de novas introduções da espécie e porque não sabemos ao certo onde esses bichos estão”, pontua a cogestora da base de dados e professora do departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Michele de Sá Dechoum.
SeguirA base de dados do Instituto Hórus contabiliza 22 ocorrências do peixe-leão em sete Estados. Duas aparições ocorreram no Amapá, oito no Ceará, uma no Pará, três em Pernambuco, duas no Piauí, três no Rio de Janeiro e três no Rio Grande do Norte.
Pesquisadores encontraram o peixe 22 vezes no país, nas regiões indicadas em verde no mapa. O caso mais próximo de SC está no Rio de Janeiro – Foto: Instituto Hórus/Divulgação/NDSem predadores, espécie representa risco para SC
Conforme o especialista ambiental Geovane Oliveira, a espécie não tem predador nas águas do litoral brasileiro. Além disso, é carnívoro voraz, com alta capacidade reprodutiva e venenoso. Sendo assim, ele representa uma ameaça, pois tem reprodução alta e, ao se alimentar, reduz as espécies nativas do Brasil e afeta quem vive da pesca artesanal.
Reportagem da Agência Brasil destaca que a CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura) apresentou nesta semana um estudo que revela as ameaças e ambientais e possíveis soluções para os impactos causados pela invasão da costa brasileira pelo peixe-leão.
O estudo foi entregue nesta terça-feira (7), em Brasília, ao Ministério da Pesca e Aquicultura, em uma cerimônia onde foram apresentados dados e possíveis soluções para o problema.
“Inicialmente, muitos países, inclusive Estados Unidos e regiões do Caribe, tentaram erradicar o peixe-leão, mas viram que, pela sua natureza, é impossível. Então, a comunidade científica já está convencida que manter o controle a partir da captura é a única solução para reduzir o seu impacto”, disse Geovane.
O documento – entregue ao ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula – traz como solução a adoção de uma política pública com atuação em quatro frentes: captura e extração do peixe-leão, pesquisa e monitoramento, plano de comunicação e educação ambiental.
As ações, com foco na região litorânea, têm como objetivo principal engajar pescadores artesanais e populações locais na captura da espécie e futura inserção do peixe-leão em uma cadeia produtiva, além de prevenir acidentes com os espinhos do peixe, que liberam toxinas venenosas causadoras de lesões dolorosas.
Modelo de atuação
Segundo o presidente da CBPA, Abraão Lincoln, esse é um modelo de atuação que foi adotado em outras situações de invasores pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
“A ideia é unirmos esforços para que entidades não-governamentais e governo atuem em todo o Brasil para tentar coibir a ação predatória desse peixe”, opinou.
O ministro André de Paula destacou a importância da pesquisa que servirá de subsídio para a elaboração de políticas públicas e que também viabilizará uma ampla campanha de divulgação e conscientização dos pescadores e banhistas.
“A CBPA nos oferece um estudo muito consistente, inclusive com um diagnóstico da situação e sugestões de ações que podemos desenvolver conjuntamente. Essa parceria é muito importante e é desejada”, finalizou.
*A reportagem conta com informações da Agência Brasil