Maré alta causa estragos e preocupa banhistas e comerciantes em Florianópolis

Fenômeno atingiu praias do Sul, Norte e Leste da Ilha; banhistas ficaram sem espaço na praia e comerciantes viram o movimento diminuir

Redação ND Florianópolis

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Os fenômenos de maré alta preocupam quem mora ou trabalha perto do mar em Florianópolis. Nos últimos dias, as praias mais afetadas foram Morro das Pedras e Pântano do Sul, no Sul da Ilha, Joaquina, no Leste, e praia do Forte, no Norte da Ilha.

“Quide-lhe” a praia? – Foto: Leo Munhoz/ND“Quide-lhe” a praia? – Foto: Leo Munhoz/ND

Famosa por ser mais restrita e menor em extensão, a praia do Forte ficou ainda menor neste verão. Para os comerciantes, a margem de lucro é que ficou bem mais estreita. Alguns saíram no prejuízo, outros avaliam que arrecadariam mais se “tivesse praia”.

A administradora Thais Biscuola, 30 anos, turista de São Paulo, veio em 2022 e em 2023 para Florianópolis e, nas duas vezes, visitou a Praia do Forte, que considera ideal para o pequeno Samuel. De um ano para o outro, sentiu a diferença, mas disse que não atrapalhou.

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“Quando chegamos não tinha quase ninguém, a maré desceu e deu pra aproveitar”, comentou. “É algo natural. A maré tem dessas. Vamos voltar, com certeza. O mar é calmo, a vista é bonita, só o acesso que é meio complicado”, disse a turista em relação ao trânsito.

Thais e o pequeno Samuel – Foto: Leo Munhoz/NDThais e o pequeno Samuel – Foto: Leo Munhoz/ND

Nativa da Ilha, a arquiteta Mariana Brock, 28 anos, frequenta bastante as praias da região e considera que a ressaca tem atrapalhado. “Não tem espaço para sentar e pegar um sol tranquilo”, afirmou.

“Quando chegamos, ficamos na área do restaurante, porque não tinha areia onde estamos agora”, disse a representante comercial Mariane Espíndola, 32 anos, também manezinha.

As amigas elogiaram o alargamento de Ingleses e Canasvieiras, no Norte, e sugeriram a alternativa para o Forte, porém, temem que isso tire a exclusividade da praia.

O comerciante Luiz Salustriano Machado, 72 anos, tem restaurante há 40 anos no Forte. Segundo ele, há duas décadas, a maré não subia tanto. “Os turistas querem praia. Eles vêm de muito longe para isso. Chegam aqui e não tem, todo mundo perde. Está assim desde outubro. Eu tô no vermelho”, reclamou.

Para Luiz, a situação está afastando os banhistas e seria importante uma visita da prefeitura ao local. Tentando amenizar o problema, ele e o comerciante ao lado colocaram milhares de sacos de areia para conter a maré, mas não surtiu efeito: a água “engoliu” a maioria.

O restaurante do seu Luiz está a perigo na Praia do Forte – Foto: Leo Munhoz/NDO restaurante do seu Luiz está a perigo na Praia do Forte – Foto: Leo Munhoz/ND

Luiz Machado, o Lico, 50 anos, disse que na madrugada de domingo para ontem a maré levou mais areia. Ele estima que vai investir cerca de R$ 6.000 para construir uma barreira com madeira e espera que o movimento se mantenha bom por causa da reabertura da Fortaleza de São José da Ponta Grossa.

Monitoramento da Defesa Civil

A Defesa Civil informou que não houve demanda na praia do Forte. No Morro das Pedras, o monitoramento demonstrou normalidade após o evento, sem danos.

A Secretaria de Limpeza Pública e Manutenção Urbana informou que o impacto maior foi no Pântano do Sul, onde a intendência retirou galhos encalhados e que o trabalho segue até a maré baixar e o vento Sul ceder.

Duas carradas de areia foram utilizadas na praia do Forte para tapar um buraco que se formou na descida para faixa de areia e onde transitam os carros, para não prejudicar o acesso.

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