Mesmo com chuva, moradores fazem ato pela preservação da Lagoa do Peri

Principal objetivo foi chamar a atenção das autoridades para o risco iminente de colapso do ecossistema que compõe a região

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Mesmo debaixo de chuva, um ato em prol da preservação da Lagoa do Peri, no Sul da Ilha de Santa Catarina, ocupou a frente da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) na SC-406, na manhã desta segunda-feira (7).

A manifestação, programada pelos moradores da região, iniciou às 10h e durou cerca de duas horas. O uso de máscara e o distanciamento social foi solicitado pelos organizadores nas redes sociais.

Moradores em ato pela preservação da Lagoa do Peri – Foto: Divulgação/NDMoradores em ato pela preservação da Lagoa do Peri – Foto: Divulgação/ND

De acordo com Eugênio Gonçalves, presidente da Associação de Moradores da Costa de Dentro e um dos organizadores, o ato contou com cerca de 50 pessoas que empunharam cartazes pedindo pelo uso racional da água da Lagoa do Peri.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O principal objetivo foi chamar a atenção das autoridades para o risco iminente de colapso do ecossistema que compõe a região.

“Mostramos para a população e o poder público a nossa preocupação com relação ao uso da Lagoa do Peri para o abastecimento de água. Se o nível da reserva não for respeitado, haverá um grande impacto, não só hoje, mas para as gerações futuras”, disse Eugênio.

Reivindicações

O ato pede o racionamento e um plano de contingência para que se suspenda a exploração da água da Lagoa do Peri até que o manancial se recupere dos baixos níveis apresentados nos últimos meses.

De acordo com a nota técnica formulada por um biólogo a pedido dos moradores, o manancial estaria com grave problema de reposição de água.

Isso indicaria que, de julho de 2019 a agosto de 2020, a velocidade de retirada de água para abastecimento estaria em um ritmo muito maior do que a sua capacidade de reposição.

A nota técnica informa que nesse período, o sistema trabalhou com nível predominante abaixo de 2,50 metros, chegando a 1,44 metro no dia 10 de agosto.

Com um 1,35 metro, a lagoa entraria em colapso. O nível para uma exploração sustentável do reservatório de água, conforme Gonçalves, deve oscilar entre 2,16 e 2,66 metros.

Casan: captação reduzida

A Casan informou nesta sexta-feira (4) que já reduziu em 50% a captação na Lagoa no momento, ou seja, a metade da autorização legal (outorga) existente.

Conforme a Companhia, não há como falar em “exploração”, mas sim, em uma captação muito abaixo da histórica e habitual naquele manancial. A Casan reforça a necessidade de colaboração dado o momento atípico, com a economia e o uso consciente da água, a fim de preservar o manancial.

Lagoa do Peri: moradores pedem preservação do ecossistema – Foto: Divulgação/NDLagoa do Peri: moradores pedem preservação do ecossistema – Foto: Divulgação/ND

Confira trecho da nota da Casan:

A Companhia está executando uma série de ações (novas redes e adutoras, boosters, motorbombas, novos poços, interligações com sistemas complementares) que vão permitir chegar ao final do ano captando cerca de 50 L/s da Lagoa, em vez dos 200 L/s autorizados por outorga: ou seja, será 1/4 do autorizado.

Vivemos numa Ilha e os mananciais mais próximos para abastecimento humano estão a quase 25 quilômetros de distância. No Sul da Ilha vivem cerca de 140 mil pessoas que dependem da água, ainda mais em um período de pandemia.

Por fim, a Epagri/Ciram alerta que há uma estiagem histórica e recorde sobre a região, uma seca que estende-se desde maio do ano passado. O déficit de precipitação é de 377,4 milímetros (ou seja, chuva que não caiu na região e que recarregaria o manancial).

Nota da prefeitura

Por meio de nota, a Prefeitura de Florianópolis afirmou que estava ciente do ato e reconheceu a importância ecológica da Lagoa do Peri, “tanto para o ecossistema da região, quanto para o abastecimento de água do Sul da Ilha de Santa Catarina”.

Neste sábado (5), o superintendente de Habitação e Saneamento da Prefeitura de Florianópolis, Laudelino Bastos, disse que, como reflexo da estiagem prolongada, o prefeito, Gean Loureiro, notificou a Casan e a Aresc (Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina) para que suspenda a captação de água na Lagoa do Peri.

A Casan terá um prazo de seis meses para suspender a captação. A proibição, segundo a nota, é por tempo indeterminado e visa, principalmente, acelerar a recomposição do ecossistema da Lagoa.

A Aresc informou que recebeu a notificação da prefeitura de Florianópolis nesta sexta, e que será analisada pela Procuradoria da Agência.

Tópicos relacionados