Continua a polêmica sobre a acessibilidade aos deficientes visuais na obra de revitalização na Avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, na Capital.
O promotor Daniel Paladino, do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), agendou uma vistoria do órgão no local na próxima segunda-feira, às 9h, para verificar o piso tátil instalado na borda da calçada, que oferece risco de queda aos pedestres.
Na última segunda-feira ele instaurou uma notícia de fato cobrando uma resposta da Prefeitura de Florianópolis, em prazo de 20 dias, sobre essa questão.
SeguirDe acordo com Paladino, a vistoria verificará essa e outras situações, como a qualidade do material colocado nas calçadas e ciclovias, além das rampas de acesso para cadeirantes.
De acordo com o Ipuf (Instituto De Planejamento Urbano de Florianópolis), a obra segue o Manual Calçada Certa. Elaborado no decreto 18.369 de 2018, nele consta que o piso tátil na borda proporciona maior espaço útil e possibilita a orientação da pessoa com deficiência visual por meio da bengala longa.
“Com base no manual, toda a Florianópolis tem um novo padrão de acessibilidade, qualquer obra ou reforma precisa seguir essas orientações” afirma a arquiteta e urbanista do Ipuf Ingrid Zandomeneco.
Para que não haja risco de queda dos pedestres, a revitalização prevê ainda a instalação de guarda-corpos junto à borda da calçada, para que não se tenha risco de queda dos pedestres. Eles funcionam com um corrimão ao longo da avenida.Um morador de São José tem deficiência visual desde o nascimento e estava passeando na Lagoa da Conceição ontem pela primeira vez com os tios, que visitam Florianópolis.
Para ele o guarda-corpo pode solucionar o problema, mas o piso tátil não é muito eficiente.
“O relevo é muito baixo, então ele poderia se passar facilmente por uma irregularidade da calçada e nem todos os cegos possuem sensibilidade suficiente para conseguir diferenciar ”, explica. Outra questão que atrapalha os mais de 11 mil deficientes visuais da capital catarinense é a sinalização de forma irregular na calçada tátil.
Alguns pontos chegam a indicar um caminho que leva à colisão com as árvores no decorrer do trajeto. Segundo Rodrigo Machado, presidente da ACIC (Associação Catarinense de Integração ao Cego), existem dois tipos de pisos destinados a quem usa bengala, o direcional (em forma de listras), para orientar o sentido da travessia e o de alerta (em forma de bolinhas), para indicar objetos suspensos, rampas e degraus. Machado ainda disse que a prefeitura já entrou em contato para corrigir essas irregularidades.
A revitalização da Avenida das Rendeiras teve início em outubro de 2020 e tinha previsão para ser concluída em quatro meses, mas foi paralisada em dezembro para a temporada de verão e seguiu inerte até junho devido a um impasse entre a prefeitura e a empresa responsável. O prazo atual para conclusão da obra é 20 de dezembro deste ano.